sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Arminianismo inglês


Por R. K. Mcgregor Wright
            Enquanto os holandeses estavam estabelecendo suas disputas doutrinárias pela exclusão dos arminianos de sua igreja estatal, agora totalmente calvinista, as ideias arminianas estavam se tornando crescentemente populares no clero mais liberal da Inglaterra. Por volta de 1630, o arcebispo arminiano de Canterbury William Laud, começou a perseguir o nascente movimento puritano e tentava excluir os puritanos primeiramente dos cargos de conferencistas, enquanto foi bispo de Londres, e, posteriormente, exclui-os dos meios de vida por todo o país, quando se tornou o bispo primaz de toda a Inglaterra. Hoje em dia, esquece-se com frequência que foi principalmente porque Carlos I se colocou ao lado do arcebispo Laud contra os calvinistas puritanos que muitos pastores ingleses partiram para terras mais hospitaleiras da Europa e de lá alguns partiram para o novo mundo. Os primeiros peregrinos que viajaram no Mayflower foram a América do Norte para escapar da perseguição arminiana na Inglaterra. Essa perseguição foi um fator importante na concentração do movimento puritano em apoio ao parlamento e contra a arrogância arbitrária do absolutismo de Carlos I. Carlos cria no “direito divino” do rei de governar acima da lei da terra e não hesitava em quebrar as promessas quando bem lhe parecia. O resultado foi a eclosão da guerra civil inglesa, que foi liquidada somente após a execução de Carlos I por traição, em 1649. Oliver Cromwell, que governou a Inglaterra até 1658, foi o grande apoiador de uma liberdade plena de consciência. Assim, ambos, o puritanismo prático e o doutrinário, floresceram durante o protetorado de Cromwell. Somente com a restauração da monarquia e do Anglicanismo episcopal em 1660 é que o puritanismo começou o seu longo declínio histórico.

            No auge do período do pensamento puritanos nos anos de 1600, John Owen era um ilustre apologista que escreveu contra o Arminianismo. Seu primeiro livro foi intitulado A Display of Arminianism (1642) porque ele queria que as pessoas soubessem o que os arminianos da década de 1630 estiveram realmente ensinando. Ele também “mostrou” as diferenças entre os escritores arminianos e a Biblia, em colunas contrastantes, para uma comparação fácil, no final de cada capitulo. Era plano seu escrever cinco livros, sobre cada um dos cinco pontos de Dort, mas ele só completou dois deles: The Death of Death in The Death of Christ [Publicado no Brasil com o título Por Quem Cristo morreu, PES (N. do E.)] (1647), que logo foi reconhecido como uma defesa definitiva da redenção particular, e um livro volumoso intitulado The Perseverance of The Saints (1654), que refutava a ideia arminiana de que mesmo os verdadeiros regenerados podem perder a salvação. A atitude de John Owen para com o livre arbítrio pode ser captada da capa do Display, onde ele faz referencia ao “antigo ídolo pelagiano do livre arbítrio”.

Fonte: A soberania banida, R. K. Mcgregor Wright. p. 30-31.

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