domingo, 16 de fevereiro de 2014

OBJEÇÃO À ELEIÇÃO INCONDICIONAL: DEUS ESCOLHE INDIVÍDUOS BASEADO SIMPLESMENTE NA ARBITRARIEDADE



Objeção:
Você disse a respeito da eleição incondicional:
“Deus não baseia sua eleição em nada que ele vê no indivíduo. Ele escolhe de acordo com o beneplácito de sua vontade (Ef 1.4-8; Rm 9.11) sem consideração alguma de mérito do indivíduo. Nem Deus olha no futuro para ver quem o escolheria. Também, assim como alguns são escolhidos para a salvação, outros não são (Rm 9.15, 21).”
Sob estas condições, Deus elege indivíduos baseados simplesmente na arbitrariedade. Qual seria o ponto nisto? Embora todas as pessoas possam ser iguais em pecado, nem todas as pessoas são iguais em talento. Alguns indivíduos podem ter talentos artísticos ou intelectuais, ou são mais compassivos e mais trabalhosos que outros, e eles seriam ignorados por indivíduos que não possuem nenhuma destas peculiaridades. Então esta escolha arbitrária significaria que Deus está completamente desinteressado em nossa individualidade.
Resposta:
Primeiro de tudo, dizer que algo é arbitrário significa que não tem propósito, sem finalidade, sem objetivo e sem padrão. Aplicar a arbitrariedade à eleição soberana de Deus é inapropriado e demonstra que a objeção não reflete um entendimento adequado da teologia reformada. A citação acima sobre a eleição incondicional especificamente afirma que Deus escolhe fora do beneplácito de sua vontade. Desde que Deus não é arbitrário e ele sempre tem um propósito no que ele faz, sua eleição deve também ter um propósito- embora ela pareça arbitrária para nós. Portanto, a teologia reformada afirma que Deus não faz nada arbitrariamente e que todas as coisas operam de acordo com seu propósito.
Em segundo lugar, apelar para diferentes talentos nos indivíduos e então implicar que a posição reformada nega que Deus predestina ou elege baseado no que está nos indivíduos é contraditório à escritura e a posição reformada.
Efésios 1.4-12 diz:
“como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado;

em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça,

que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência,

fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs

para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,

nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade,

com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;”
Observe que as palavras em negrito nesta passagem da escritura. Está claro que o apóstolo Paulo foca na escolha de Deus, na predestinação de Deus, na intenção de Deus, na vontade de Deus, na graça de Deus e no propósito de Deus. Você não encontra em nenhum lugar na escritura onde Deus considera um indivíduo e baseia sua escolha da eleição e predestinação em alguma qualidade no indivíduo. Portanto, implicar de alguma forma que Deus baseia sua escolha soberana em alguma coisa no indivíduo seria ir contra a escritura e acusar Deus de parcialidade por sugerir que Deus põe uma pessoa sobre outra baseado no que está ou não está em uma pessoa. Isto é contraditório à escritura.
A parcialidade que a escritura menciona e condena como exemplificada em Tiago 2.2-4:
“Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido.

e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra; e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés,

não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juizes movidos de maus pensamentos?”
Tiago condena a parcialidade mostrada pelas pessoas baseada na aparência exterior dos outros. Desde que nós não podemos ver os corações das pessoas, nós julgamos pela aparência. Deus é capaz de olhar para dentro de uma pessoa. Seria errado atribuir a Deus qualquer tipo de parcialidade baseada no que está em uma pessoa porque todas as pessoas são pecadoras. Todas as pessoas são tocadas pelo pecado e ninguém é digno de forma alguma de Deus ter que olhá-las favoravelmente.
Em terceiro lugar, é ilógico, pois é Deus que nos fez, nos formou etc. Ele é o único que formou nossas partes internas e teceu nossas personalidades, no lugar de tricotar nossas habilidades, deficiências, tendências, gostos, aversões, forças e fraquezas. Deus é perfeitamente competente, de toda a eternidade, para nos criar como ele vê adequado. É contra a lógica afirmar que o onisciente, onipotente e onipresente Deus eterno não está no controle do processo criativo que governa a formação de cada e todo indivíduo que já viveu ou ainda viverá. Portanto, é imprudente concluir que Deus não está ciente ou no controle de todas as condições nas quais uma pessoa nasce incluindo família, cultura, ambiente, etc. que teria uma influencia sobre as escolhas de um indivíduo. Logo, desde que Deus é o único que nos forma no útero e também nos coloca quando e onde ele deseja, ele sabe o que o resultado daquelas condições proporcionará a respeito da nossa salvação. Nisto, Deus predestina.
Em quarto lugar, a razão de nem todas as pessoas serem iguais em talentos é porque Deus não as fez iguais em talento. Ele não as fez com habilidades artísticas ou intelectuais iguais. Não é garantido ara cada indivíduo a mesma porção de compaixão, energia ou indolência. Se Deus fosse olhar para um indivíduo e baseasse sua eleição no que está nele, então Deus está apenas olhando o que ele criou de acordo com o seu propósito e sua vontade. Qual seria o propósito de Deus em olhar as peculiaridades de um indivíduo se foi Deus o único que os colocou lá para começar?  Não faz sentido.
Isto, porém, faz mais sentido acreditar que Deus está soberanamente no controle e que sua vontade, sua escolha, é beneplácito e sua graça será executada.
Finalmente, não é verdade que Deus é arbitrário. Suas escolhas sempre têm um propósito. Para o crítico acusar a teologia reformada de implicar arbitrariedade na natureza e escolha de Deus, demonstra que o crítico não entende a teologia reformada a respeito da bondade de Deus, soberania e propósito divino.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://www.calvinistcorner.com/random-election.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário