terça-feira, 25 de março de 2014

BREVE COMENTÁRIO DE ROMANOS 8.29

Por Steven Lawson

 Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;

            A expressão conheceu de antemão, empregada aqui por Paulo muitas vezes é mal entendida. A palavra grega para “conhecer” (ginosko) significa “amar numa relação pessoal, íntima”, o que lembra a união física entre marido e mulher (Gn 4.1; Mt 1.25). O verbo conhecer significa realmente “escolher para amar” (Am 3.2). No caso da palavra pré-conhecimento, o prefixo pré (pro) significa “de antemão”. Consequentemente, “pré-conhecimento” significa muito mais que meramente prever futuros acontecimentos, capacidade que certamente Deus tem. Antes, este verbo (proginosko) fala de uma escolha amorosa de pecadores feita por Deus antes do princípio do tempo. O texto aqui em foco não diz que Deus previu acontecimentos, como por exemplo, alguém crer em Cristo. Em vez disso, que esta passagem ensina que Deus conheceu de antemão, ou teve pré-conhecimento de indivíduos, um assunto inteiramente diferente. O pré-conhecimento divino é o amor eletivo e distintivo de Deus por seus escolhidos. Paulo, então, está dizendo aqui que Deus escolheu de antemão quem amaria salvificamente.

            Acrescentando algo a esse ponto, John Murray raciocina:

É Deus quem predestina, chama, justifica e glorifica. A previsão da fé estaria em desarmonia com a ação determinativa que se atribui legitimamente a Deus nesses outros casos, e constituiria um enfraquecimento de toda ênfase neste ponto, exatamente onde menos a deveríamos esperar. A previsão tem pouco do fator ativo, não podendo, pois fazer justiça ao monergismo divino no qual grande parte da ênfase cai. Não é a previsão da diferença, mas o pré-conhecimento que faz com que exista a diferença; não uma previsão que reconhece a existência de algo, mas o pré-conhecimento que determina a sua existência. É um amor que faz distinção. [...] “Conhecer de antemão” focaliza a atenção no amor distintivo de Deus pelo qual os filhos de Deus foram eleitos.[1]

            Quer dizer que conhecer de antemão é um sinônimo apropriado para amar de antemão e preordenar.

Fonte: Fundamentos da graça, Steven Lawson, p. 503-504.


[1] John Murray, The epistle to the romans, Vol 1 (Grand Rapids, M1: Eerdmas Publishing Co., 1959, 1965), 317-318.

Nenhum comentário:

Postar um comentário