sábado, 29 de março de 2014

ESCOLHAS HUMANAS

Por R. K. McGregor Wright

            As escolhas humanas ocorrem ao longo de toda a Bíblia, começando com a escolha de Adão em obedecer a Deus e ter os animais sob seu domínio no Jardim do Éden, como foi ordenado em Gênesis 1.26. A queda também envolveu escolhas, que foram determinantes para o que se seguiu.

            Quando os arminianos veem um exemplo de uma escolha, eles automaticamente presumem que ela é uma escolha do livre arbítrio, porque isso é exigido pelas suas pressuposições. No entanto, ignorando por ora as reclamações arminianas a respeito das “marionetes” e dos “autômatos”, os calvinistas estão tão plenamente cônscios de suas próprias escolhas como plenamente aceitam os muitos casos de escolhas registradas na Bíblia. Nunca encontrei um calvinista que negasse a realidade ou a experiência das escolhas humanas. A questão não é a respeito da realidade das escolhas, mas a respeito do fato de elas serem causadas ou não.

            Além disso, os arminianos e pelagianos não podem provar a existência de um livre arbítrio meramente porque ele é tão “óbvio” para eles. Eu já observei que nenhum ser humano é consciente da causação no cérebro. De fato, não somos, de maneira alguma, nem mesmo conscientes do cérebro. Não temos nenhuma noção do mecanismo de consciência dentro de nós, muito menos de que haja fatores causais envolvidos nesse relacionamento misterioso entre o cérebro e a alma ou a mente. Esse grande buraco de ignorância pessoal exclui qualquer certeza de que uma escolha particular, de fato, não foi precedida por causas das quais a escolha é o efeito resultante. Os arminianos concluem que, porque eles não estão conscientes das causas que afetam a vontade deles, ela deve ser livre de todas as causas. Mas a conclusão não é autorizada pela premissa. De fato, pode sempre haver causas agindo sobre a vontade das quais simplesmente somos inconscientes. Nós nunca poderíamos saber que as coisas não são assim, a menos que fôssemos oniscientes. Sobre a base da teoria do “teísmo aberto” [ou teologia relacional. N. do R.], o próprio Deus é ignorante dos atos futuros do livre arbítrio. Portanto, não sendo onisciente, ele poderia não saber se a vontade seria livre ou não num caso particular. Ele apenas não saberia o suficiente.

            Nossa conclusão deve ser que a realidade das escolhas não requer que as nossas escolhas sejam livres de toda causação determinante. A proposição de que as pessoas têm livre arbítrio não pode ser provada pelo simples fato de ela ser supostamente óbvia para alguns arminianos. O fato de ser óbvia é um estado subjetivo — o óbvio deve ser transformado em argumentos conclusivos antes que o ponto seja óbvio para outra pessoa.

Fonte: A soberania banida, R. K. McGregor Wright, p. 167-168.
             

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