domingo, 23 de março de 2014

OS REMONSTRANTES


Por R. C. Sproul

            Em 1610, os seguidores de Armínio e Episcopius, induzidos por uma declaração de Johan van Oldenbarneveldt, redigiram uma declaração de fé chamada The Remonstrance, que deu ao seu grupo o nome de Remonstrants. Os remonstrantes apresentaram suas concepções numa série de cinco artigos que frequentemente aparecem sob o título Articulo Arminiani sive remonstrantia. Roger Nicole resume esses cinco artigos como se segue:

1. Deus elege ou reprova com base na fé ou incredulidade antevista.

2. Cristo morreu por todos e cada um dos homens, embora só os crentes sejam salvos.

3. O homem é tão depravado que a graça divina é necessária para a fé ou para qualquer boa obra.

4. É possível resistir a essa graça.

5. Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão certamente perseverar na fé é um ponto que precisa mais investigação.[1]

            Os dois artigos que se relacionam de forma mais forte aos temas em consideração neste volume são os artigos 3 e 4:

            3... o homem não tem fé salvadora de si mesmo nem pelo poder do seu próprio livre arbítrio, uma vez que está no estado de apostasia e o pecado não pode pensar, desejar ou fazer qualquer bem que seja verdadeiramente bem (como é o caso especialmente da fé salvadora) por e mediante si mesmo; mas é necessário que ele seja regenerado por Deus, em Cristo, por meio do seu Santo Espírito, e renovado no entendimento, afeições ou vontade e em todos os poderes, a fim de que possa entender corretamente, meditar, desejar e realizar o que é verdadeiramente bom, de acordo com a palavra de Cristo, “sem mim, nada podereis fazer” (Jo 15.5).

            4... esta graça de Deus é o início, desenvolvimento e finalização de todo o bem, também o homem regenerado não pode, à parte dessa graça prévia ou auxiliadora, despertadora, consequente e cooperativa, pensar, desejar ou fazer o bem ou resistir a qualquer tentação para o mal; assim é que todas as boas obras ou atividades que podem ser concebidas devem ser atribuídas à graça de Deus em Cristo. Mas, com relação ao modo dessa graça, ela não é irresistível, desde que está escrito a respeito de muitos que resistiram ao Espírito Santo (Atos 7.51) e em outras partes em muitos lugares).[2]

            Em 1611, foi organizada na Holanda uma conferência que permitia aos remonstrantes interagir com representantes de sua oposição. A oposição apresentou The Counter Remonstrance, que consistia em sete artigos de resposta aos pontos controversos. The Counter Remonstrance continha as seguintes declarações:

            3. Deus, na sua eleição, não contou com a fé ou conversão dos seus eleitos nem com o uso correto dos seus dons com base para a eleição; mas, ao contrário, ele, em seu conselho eterno e imutável, tencionou e decretou conceder a fé e a perseverança na piedade e, assim, salvar aqueles a quem ele, de acordo com o seu agrado, escolheu para a salvação.

            5...Além disso, para o mesmo fim, Deus, o Senhor, tem seu santo evangelho pregado, e o Espírito Santo opera exteriormente por meio da pregação deste mesmo evangelho e interiormente por meio de uma graça especial tão poderosa nos corações dos eleitos de Deus que ele ilumina a mente deles, transforma e renova sua vontade, removendo o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne, de maneira que, por meio disto, eles não apenas recebem poder para se converterem e crerem, como também, de fato e desejosamente se arrependerem e crerem.[3]

Fonte: Sola Gratia, R. C. Sproul. p. 131-133.


[1] Roger Nicole, “Arminianism”, in Everett F. Harrison (org.), Baker’s dictionary of theology (Grand Rapids: Baker, 1960), p.64.
[2] The Remonstrance of 1610, apêndice C por Peter Y. De Jong (org.), crisis in the reformed churches: essays in commemoration of the great Synod of Dort, 1618-1619 (Grand Rapids: Reformed Fellowship, 1986), p.208-9.
[3] Te Counter Remonstrance of 1611, apêndice D in crisis in the Reformed churches, de De Jong (org.), p. 211-12.

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