sexta-feira, 4 de abril de 2014

ELEIÇÃO CONDICIONAL E APOSTASIA

Por Steve Hays


            De um lado, os arminianos subscrevem a eleição condicional. Deus tem escolhido aqueles que serão salvos com base na fé prevista.

            Por outro lado, os arminianos creem que é possível para um cristão regenerado perder sua salvação. Eles citam textos de prova para a apostasia, como Hb 6.

            Mas estas doutrinas são mutuamente consistentes? Mesmo admitindo que nós operamos com a eleição condicional em vez da eleição incondicional, se Deus escolheu quem será salvo com base na fé prevista, então é possível para o eleito perder a sua salvação? Se a eleição condicional está correta, então é possível para o eleito ser ou não ser salvo?

            A mesma questão se aplica, não apenas à apostasia, mas à conversão. É possível para o eleito crer no evangelho ou descrer no evangelho? Se Deus escolheu quem será salvo com base na fé prevista, então como um resultado contrário ainda está em jogo?

            Como os arminianos interpretam Hb 6 à luz da eleição condicional? A quem ele se aplica? Aos eleitos? Mas como isto é uma possibilidade dada a eleição condicional?

            Questões similares surgem se você se desloca ao molinismo. No molinismo, há um mundo possível no qual Billy é salvo, e outro mundo possível no qual Billy é condenado. Um mundo possível no qual Billy persevera até o fim e outro mundo possível no qual Billy comete apostasia.

            Mas o mundo real apresenta apenas uma dessas possibilidades. Se Deus observa o mundo possível no qual Billy comete apostasia, então Billy ainda está em liberdade para fazer o contrário no mundo real?

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2009/05/conditional-election-and-apostasy.html

8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Então Steve Hays adere ao fatalismo? OU ele não entendeu nada?

    Ele já confunde possibilidade com necessidade. O fato de que o eleito não cairá não implica que é impossível que ele caia. Por exemplo, o fato de que uma determinada pessoa jamais foi vista caindo de um prédio de 100 andares, não implica que ela não podia possivelmente ter caído.

    Uma falácia modal tão básica cometida já nas primeiras linhas? Tsc tsc.

    E nota-se que ele nã entendeu nada de molinismo. O que ele falou sobre 'mundos possíveis' não tem nada a ver com molinismo.

    Tanto que, no calvinismo, há um mundo possível no qual Deus decreta a salvação de Billy, e outro no qual Ele decreta a condenação de Billy. Negar isso, seria negar a onipotência e a tão aclamada soberania divina.

    Ou Deus estava incapacitado de, por exemplo, salvar Judas e danar Pedro? De acordo com Hays, sim, pois o 'mundo atual só apresenta essas possibilidades' para Deus,

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  3. "O fato de que o eleito não cairá não implica que é impossível que ele caia." Se por cair você entende perder a salvação, então é impossível.

    "Por exemplo, o fato de que uma determinada pessoa jamais foi vista caindo de um prédio de 100 andares, não implica que ela não podia possivelmente ter caído."

    Certo, mas isso não tem relação nenhuma com o que foi mostrado aqui. A onisciência de Deus garante que aquele algo vai acontecer. Se Deus olha pro futuro e vê que A fará B, então A não pode fazer C...O calvinismo não nega um conhecimento médio das coisas, Deus sabe que algo acontecerá dada certa circunstância, que poderia acontecer de forma diferente em outra circunstância, a questão é que se Deus olha pra algo, então isso acontecerá, visto que ele controla todas as circunstâncias pra que Determinada coisa aconteça. Um exemplo é a morte de Cristo. Embora muitos não concordem que Deus controlou a vontade daqueles homens conforme relata Atos 2 e 4, mas as circunstâncias para que aquele evento ocorresse foram controladas Isso até arminianos concordam, até onde sei).

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    1. Certo, mas isso não tem relação nenhuma com o que foi mostrado aqui.

      Como não? É justamente disso que estamos falando!

      A onisciência de Deus garante que aquele algo vai acontecer.

      Ambíguo. Que garantia é essa? Afinal, a onisciência garante que o que Deus sabe que acontecerá, acontecerá, mas não diz por que o que acontecerá acontecerá.

      Talvez a analogia do termômetro funcione aqui: se eu observo um termômetro perfeitamente calibrado apontando 40 graus, eu sei que a temperatura ambiente é de 40 graus. Mas é um nonsense completo dizer que o termômetro está mantendo a temperatura nesse patamar. O correto é dizer que o termômetro está marcando 40 graus porque a temperatura ambiente é de 40 graus.

      Da mesma forma: Deus sabe 'daquilo que vai acontecer' simplesmente porque 'aquilo que vai acontecer' é verdade. Agora, o porquê de 'aquilo que vai acontecer' ser verdade, são outros quinhentos. Se é por causa de decretos secretos ou contingências humanas, é irrelevante.

      Se Deus olha pro futuro e vê que A fará B, então A não pode fazer C...

      Em que sentido? No sentido de que Deus não pode ver uma coisa que não vai acontecer? Ou no sentido que nem mesmo Deus é capaz de trazer um futuro diferente à tona?

      Usando a eleição como exemplo: se Deus sabe que elegeu São Paulo para a salvação, então Deus é incapaz de eleger São Paulo para danação?

      Dependendo de como você interpreta o seu "não pode" acima, temos duas respostas possíveis.

      a questão é que se Deus olha pra algo, então isso acontecerá,

      Tá, que legal. Cê acabou de definir presciência. Mas não mostrou que a alternativa "isso não acontecerá" é uma impossibilidade lógica. Leia acima.

      Embora muitos não concordem que Deus controlou a vontade daqueles homens conforme relata Atos 2 e 4, mas as circunstâncias para que aquele evento ocorresse foram controladas Isso até arminianos concordam, até onde sei).

      OK, mas isto é irrelevante novamente. O fato de Deus saber do futuro não quer dizer nada de especial além do fato de... que Deus sabe do futuro.

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  4. Ademais, você pode ver os próprios comentários dele em resposta a algumas objeções feitas ao artigo dele, por exemplo em relação a eleição corporativa levantada por um lá no blog ele diz sobre o molinismo:

    1. The foreknowledge model is the classic Arminian model of conditional election.

    Does this mean you reject conditional elect (contingent on forseen faith) for corporate election?

    2. I don't see how you, as a Molinist, are entitled to opt for corporate election. In Molinism, God is electing individuals–based on what individuals would do in a given situation.

    3. If God chooses to save someone based on foreseen faith, then that's based on the fact that the individual in question did one thing rather than another. God's choice is conditioned on that individual taking one course of action (exercising saving faith in Christ) to the exclusion of a contrary action.

    4. Are you now claiming that conditional election extends to apostates? That would give us a threefold Arminian schema of conditional election:

    i) Those whom God does not choose, because they don't exercise saving faith (foreseen by God).

    ii) The faithful (those who exercise persevering faith).

    iii) Nominal believers who commit apostasy.

    5. Even if you think conditional election extends to apostates, God is still electing individuals based on what they will do–in which case their course of action is not an open-ended affair (vis-a-vis God's elective foreknowledge).

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  5. Partindo da ideia de fé prevista, Deus escolhe crentes para serem salvos, então o eleito representa um objeto fixo do conhecimento.

    A eleição condicional não se extende a crentes nominais que subsequentemente "abandonam a fé".

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    1. Tá bom, e daí? Sério, e daí? E daí que a eleição não se estenda para futuros apóstatas?

      E, pelo que li, nada do que Hays disse toca a minha crítica: a de que ele opera num frame fatalista.

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