terça-feira, 6 de maio de 2014

A BÍBLIA ENSINA (OU PRESSUPÕE) O LIVRE ARBÍTRIO LIBERTÁRIO?

Por Francisco Alison Silva Aquino


            A fim de “preservar o caráter de Deus”, os arminianos acreditam que para isso, a única solução possível é a de que os homens, necessariamente, devem ter o que é chamado de livre arbítrio libertário. De acordo com Roger Olson, o livre arbítrio libertário (ou livre arbítrio não compatibilista) “é a livre agência que permite às pessoas fazerem o contrário do que fazem”[1]. É o que poderíamos chamar também de “poder de escolha contrária”. Olson nos dá um exemplo em sua obra para que possamos entender melhor o que isso significa. Vejamos: 

Por exemplo, uma pessoa pode escolher livremente entre pizza e macarrão para o jantar [presumindo que ambos estejam disponíveis], Se a pessoa escolher macarrão, a escolha é livre no sentido não compatibilista de que a pizza também poderia ter sido escolhida. Nada determinou a escolha do macarrão, exceto a decisão da pessoa.” (p.27).

            O mesmo autor aplica este conceito aos assuntos espirituais afirmando que este é um dom de Deus por meio da graça preveniente, isto é, a graça que capacita os primeiro indícios de uma boa vontade em relação a Deus.

            Outra razão pela qual os arminianos creem que o livre arbítrio libertário é o único refúgio para resolver os problemas teológicos, é que somente tal conceito é compatível com a responsabilidade humana. Em outras palavras, alguém só pode ser considerado responsável por seus atos se ele puder escolher o contrário. Afirmar algo diferente seria injustiça! Dizem eles.

            Vale salientar também que, segundo os proponentes deste conceito, negá-lo, é ir contra a nossa própria “intuição”, ou contra o nosso próprio sistema de leis, e que a ideia de um poder de escolha contrária é bastante “óbvia”. 

            No entanto, tais afirmações nada mais são que estados subjetivos. Assim, um arminiano não pode provar a existência de um livre arbítrio meramente porque ele é “tão óbvio” como parece. O óbvio deve ser transformado em argumentos conclusivos antes que o ponto seja óbvio para outra pessoa.

            Para não ficarmos presos no abstrato, vejamos apenas um exemplo bíblico que supostamente pressupõe o livre arbítrio libertário. Depois analisaremos outros textos que provam o contrário.

            Talvez um dos mais usados (ou o mais usado) é o exemplo de Caim. A Bíblia diz: “Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.” (Gn 4.6-7).

            Muitos afirmam que o caso de Caim é um exemplo nítido de livre arbítrio libertário. Estes dizem que é bastante óbvio que Caim poderia ter escolhido fazer o contrário. Por que eles afirmam isso? Simplesmente porque qualquer outra ideia que não esse poder de escolha contrária faria de Deus um ser ambíguo e não haveria como responsabilizar o homem uma vez que ele não podia fazer diferente. Mas nada disso é pressuposto aqui no texto. Em primeiro lugar, Deus de forma alguma estaria sendo ambíguo. Ele não está sendo incoerente senão falando uma verdade: “porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.” Onde a Bíblia nos diz que o dever pressupõe o poder? Em nenhum lugar das escrituras a responsabilidade pressupõe liberdade (ou livre arbítrio). Ademais, as escrituras sequer tratam da relação entre estes conceitos.

            Agora, atentemos para uma passagem do novo testamento que contraria o conceito aqui tratado. É a passagem em que Pedro nega a Cristo por três vezes. Mas antes, permitam-me inquirir: Pedro foi responsabilizado (ou pode ser responsabilizado) ou não por ter negado a Cristo? Eu acredito que todos concordam que sim. A outra pergunta é: Pedro poderia não ter negado a Cristo? Isto é, ele poderia ter feito o contrário? Vejamos o texto: 

Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes me negarás. Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os discípulos.” (Mt 26.34)
            Observem que Jesus enfaticamente afirma que Pedro, antes que o galo cantasse, o negaria por três vezes. O mais interessante é que o próprio Pedro diz: “de modo algum te negarei”. E o que aconteceu? A Bíblia prossegue o relato em Mateus 26.69-74 afirmando que Pedro realmente nega a Cristo por três vezes como Jesus havia dito. Finalmente, No v. 75 diz: “Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E saindo dali, chorou amargamente”.

            Então, onde está o livre arbítrio libertário aqui? Em outras palavras, Pedro poderia ter feito diferente? Vimos que não. Afirmar o contrário faria do próprio Cristo um mentiroso (ou não-onisciente) uma vez que ele disse que Pedro o negaria e, é claro, ninguém se atreve a afirmar algo desse tipo. E a responsabilidade, onde fica? Para o calvinista não há nenhum problema em responder que ela permanece, esta pergunta fica para o arminiano que sustenta que alguém só pode ser responsabilizado por algo se ele puder fazer o contrário.

            Vejamos II Pe 1.20: “sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.” Todos nós sustentamos a inspiração bíblica, que a Bíblia é a palavra de Deus e que foi escrita por homens da parte de Deus. Pense um pouco agora: como poderia ter acontecido se esses escritores tivessem liberdade libertária? Se em vez de cada palavra, cada construção gramatical que eles escreveram eles pudessem ter escrito outra coisa e Deus não pudesse controlar o que eles escreveram? Se eles tivessem liberdade libertária e essa é a palavra de Deus, Deus deu muita sorte. Essa é a única conclusão que nós podemos chegar.

            Poderíamos citar outros textos, mas estes são suficientes para mostrar a falácia do livre arbítrio libertário. Nesse sentido, podemos ver que tal conceito acarreta vários problemas teológicos, além de não ter respaldo bíblico.



[1] OLSON, Roger. Teologia arminiana: mitos e realidades. 1 ed. São Paulo: Reflexão, 2013.

14 comentários:

  1. Fatalismo, de novo? Parece que não aprendeu nada com o post do Steve Hays? Aliás, parece que piorou: agora também nega a onipotência!

    Basicamente, na negação de Pedro, você está dizendo que uma profecia se cumpre necessariamente.
    Qual é a sua base para isto? Por que uma profecia é entendida aqui em termos de "impossibilidade do contrário"? Será que nem o básico de lógica modal você conhece?

    Você seria capaz de dizer que nem mesmo Deus seria capaz de impedir que Pedro negasse Cristo, SÓ PORQUE Jesus anunciou de antemão a sua futura tentação?
    O fato de Deus conhecer o futuro, implica que este futuro é necessário? Nem mesmo Deus tem poder para mudar este futuro?

    Esta afirmação, reincidente pelo que noto, mostra sua inépcia completa em assunto tão complexo. É como uma criança de colo querendo discutir a Teoria da Relatividade com o Einstein...

    Acho que um caso pode te fazer pensar:

    Deus sempre soube que Ele predestinou Pedro para a salvação.
    Então, Deus não pode predestinar Pedro para a perdição.
    Portanto, Deus não é onipotente. Ou, de outra forma: é impossível que Deus seja ao mesmo tempo onisciente e onipotente.

    Ou seja, seu argumento do "futuro impossível" se volta contra você.

    Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Não basta distorcer a onisciência, é necessário negar a onipotência!
    De acordo com você mesmo, o livre arbítrio implica que Deus perde o controle e "conta com a sorte". Este é o seu argumento? Que bases você tem para isso? Por acaso, você acha que isto é "óbvio"?

    Porque, como você mesmo disse, "o óbvio deve ser transformado em argumentos conclusivos". Porém não existe absolutamente nada conclusivo, nem mesmo convincente, acerca dessa negação tão tácita da onipotência.

    Claro, há a possibilidade que você nem saiba o que signfica "livre arbítrio libertário", e adote definições ridículas como "o poder de ao mesmo tempo trair no futuro e não trair no futuro", ou "o poder de fazer um ser onipotente perder o controle".

    Assim sendo, eu poderia de fato discordar de coisas tão ridículas. Mas isto não seria nada além de uma aplicação da falácia do espantalho.

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    1. "agora também nega a onipotência!"
      Lógica ateísta in the air!!!

      "Qual é a sua base para isto? Por que uma profecia é entendida aqui em termos de "impossibilidade do contrário"? Será que nem o básico de lógica modal você conhece? "
      Prove-me biblicamente o contrário.Prove-me que as profecias poderiam não ter acontecidas, ou tivessem sido de outra forma. Isso sim vai contra a onipotência, onisciência e tudo mais, inclusive contra o caráter de Deus, e depois o "Deus do calvinismo" ainda é chamado de ambíguo!!!

      "Você seria capaz de dizer que nem mesmo Deus seria capaz de impedir que Pedro negasse Cristo, SÓ PORQUE Jesus anunciou de antemão a sua futura tentação?
      O fato de Deus conhecer o futuro, implica que este futuro é necessário? Nem mesmo Deus tem poder para mudar este futuro?"

      "Deus sempre soube que Ele predestinou Pedro para a salvação.
      Então, Deus não pode predestinar Pedro para a perdição.
      Portanto, Deus não é onipotente. Ou, de outra forma: é impossível que Deus seja ao mesmo tempo onisciente e onipotente."

      Non sequitur, não sei por que tais acusações. Ao ler, pensei que ia chegar num ponto em que você dissesse: Deus pode criar uma pedra tão grande que ele não possa carregar? Ou algo do tipo.

      "Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Não basta distorcer a onisciência, é necessário negar a onipotência!
      De acordo com você mesmo, o livre arbítrio implica que Deus perde o controle e "conta com a sorte". Este é o seu argumento? Que bases você tem para isso? Por acaso, você acha que isto é "óbvio"?"

      De acordo comigo nada, eu não disse isso, o livre arbítrio libertário é que pressupõe isso. Mais uma vez. Será que vou ter que perguntar também se Jesus poderia ter pecado? Aliás, o que você quer dizer com onipotência? Mas uma vez a gente entra naquela questão do ateu.

      "Porém não existe absolutamente nada conclusivo, nem mesmo convincente, acerca dessa negação tão tácita da onipotência."

      Em nenhum momento foi negado a onipotência, na verdade isso não tem absolutamente nada a ver com o que foi apresentado aqui.



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    2. Pela sua lógica libertariana molinista, então a Bíblia deve está errada quando ela diz que os propósitos de Deus não podem ser frustrados, que as profecias aconteceriam tal qual foram ditas, até mesmo a ideia de inspiração da Biblia perderia a credibilidade.

      Por favor, da próxima vez, não argumente como um ateu com várias non sequitur's.

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    3. Sua tentativa de refutar o que foi tratado aqui se utilizando de silogismos que supostamente levam a comprometer a onipotência de Deus (ou a onisciência) como também faz o ateu não ajuda muito, na verdade só piora as coisas.

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    4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    5. Por que a exclusão de todas as respostas? Quer que eu reformule?

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    6. Pode ser, mas sem grosseria e afobação.

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    7. Então, fique com o resumo:

      1 - Aonde está que livre arbítrio é incompatível com profecia?
      2 - Aonde está que livre arbítrio é incompatível com inerrância ou confiabilidade da Bíblia, ou mesmo com controle divino?

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    8. "1 - Aonde está que livre arbítrio é incompatível com profecia?"
      Pelo que você disse é incompatível sim. Se Judas poderia fazer o contrário então as profecias não se cumpririam? A crucificação de Cristo foi profetizada no AT e tal qual ela aconteceu, com todos os detalhes. Agora me responda de forma clara: como essas profecias se cumpririam se o homem pudesse fazer o contrário? Em outras palavras: se, em certo sentido, eles pudessem com seu livre arbítrio frustrá-las? Ademais, a Bíblia até dá exemplos disso, veja: Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? Mt 26.54

      No caso de Judas, isso é bem claro. A Bíblia diz que isso aonteceria com Judas "para que se cumprissem as escrituras". Eu fico imaginando se Judas pudesse não fazer o que ele fez. Como as escrituras se cumpririam. Agora, eu gostaria que você me mostrasse uma solução.

      E respondendo ao que você disse: "Basicamente, na negação de Pedro, você está dizendo que uma profecia se cumpre necessariamente. " Sim, e daí? Qual o problema? É NECESSARIAMENTE mesmo. Repetindo: era necessário que as escrituras se cumprissem.

      "Qual é a sua base para isto? Por que uma profecia é entendida aqui em termos de "impossibilidade do contrário"?" Acredito que já foi mostrado isso.

      "Você seria capaz de dizer que nem mesmo Deus seria capaz de impedir que Pedro negasse Cristo, SÓ PORQUE Jesus anunciou de antemão a sua futura tentação?"

      HAHAHA. Essa é a única forma que vocês encontram de tentar sustentar a posição de vocês. Apelando para o "nem Deus poderia fazer tal". Sendo redundate aqui, eu me volto para aquela questão: Deus pode criar uma pedra tão grande que não possa carregar? É a mesma falácia.
      Creio que você respoderia que não, ele não pode. Isto é auto-contraditório. Onipotência não significa que Deus pode fazer tudo. Deus não pode mentir, Deus não pode fazer nada contrário à sua própria natureza. É o mesmo caso das profecias aqui, imagine se Deus "voltasse atrás" e decidisse que não salvaria mais ninguém! Digo isto, porque ele é fiel a sua própria palavra. O que ele diz, ele cumpre. A sua palavra "não cai. Vemos isso de forma bem nítida nas passagens do AT.

      "Deus sempre soube que Ele predestinou Pedro para a salvação.
      Então, Deus não pode predestinar Pedro para a perdição.
      Portanto, Deus não é onipotente. Ou, de outra forma: é impossível que Deus seja ao mesmo tempo onisciente e onipotente."

      Quando falei que é uma non sequitur, é porque é mesmo. Não se segue que Deus não é onipotente por conta disso. Como expliquei acima, uma coisa não tem nada a ver com outra.


      O fato de Deus conhecer o futuro, implica que este futuro é necessário? Nem mesmo Deus tem poder para mudar este futuro?

      Mais uma vez apelando. Sim o futuro é necessário porque ele o estabeleceu assim, e não se segue que, por isso, ele é impotente. O que acontece é que ele fiel a si mesmo.

      "2-Aonde está que livre arbítrio é incompatível com inerrância ou confiabilidade da Bíblia, ou mesmo com controle divino?"

      A incompatibilidade reside no fato de que se os autores escrevessem por eles mesmos, sem Deus controlar, o que garante que teríamos as escrituras da forma como as temos hoje, uma vez que as consideramos como inspiradas? Se eles tinham livre arbítrio libertário (considerando aqui não só as ações da vontade em si) isto pressupõe que Deus não "os controlou" para que tivéssemos a Biblia como a temos hoje, perde-se a credibilidade.

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    9. Pelo que você disse é incompatível sim. Se Judas poderia fazer o contrário então as profecias não se cumpririam?

      Podia ter acontecido de Judas fazer o contrário (até você tem que concordar que Deus poderia decretar um destino diferente).
      Porém, se ele tivesse feito o contrário, as profecias seriam outras.

      É como eu disse: não é a marcação do termômetro que é causa da temperatura ambiente, mas é a temperatura ambiente que causa a marcação do termômetro.

      Se as profecias acertaram, o máximo que se pode dizer é que as profecias acertaram.

      A crucificação de Cristo foi profetizada no AT e tal qual ela aconteceu, com todos os detalhes. Agora me responda de forma clara: como essas profecias se cumpririam se o homem pudesse fazer o contrário?

      Fui eu quem te fiz a pergunta. Responda-a primeiro! Por que o fato de ter sido possível o homem fazer de outra forma implica a falha inevitável - ou de acordo com sua "teoria da sorte", a "falha quase certa" - das profecias?

      Em outras palavras: se, em certo sentido, eles pudessem com seu livre arbítrio frustrá-las?

      Que "certo sentido" é esse?

      Ademais, a Bíblia até dá exemplos disso, veja: Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? Mt 26.54

      Mateus 26:54 simplesmente aniquila sua teoria. O contexto mostra claramente: Jesus podia ter convocado uma legião para protegê-lO, mas desta forma a Escritura não se cumpriria. Isto mostra que a profecia não é causa, nem é "necessidade", dos acontecimentos.

      Aliás, como eu disse, isto se volta contra você: De acordo com a sua teoria, Jesus seria completamente incapaz de chamar os anjos (afinal, é um sacrilégio uma profecia que falha!). Entendeu agora por que você nega a onipotência?

      No caso de Judas, isso é bem claro. A Bíblia diz que isso aconteceria com Judas "para que se cumprissem as escrituras". Eu fico imaginando se Judas pudesse não fazer o que ele fez. Como as escrituras se cumpririam. Agora, eu gostaria que você me mostrasse uma solução.

      Pouco importa se podia ter acontecido de Judas ter feito as coisas de outra forma. O fato é que ele fez as coisas dessa forma, e não daquela outra. Falar mais do que isto é pura especulação.

      Aliás, diga-se de passagem, as Escrituras ligadas à traição de Judas não são propriamente profecias. Isto fica para outro momento, porém.

      E, para reforçar: se você acha tão problemático que fosse possível que Judas não traísse, por que você não acha problemático que Jesus pudesse ter escapado Sua própria crucifixão?

      Qual o problema? É NECESSARIAMENTE mesmo. Repetindo: era necessário que as escrituras se cumprissem.

      Seria bom que você demonstrasse isto, afinal isto não é "óbvio" e nem "intuitivo". Você mesmo mostrou um trecho que coloca a Escritura concebendo uma contingência.

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    10. HAHAHA. Essa é a única forma que vocês encontram de tentar sustentar a posição de vocês.

      Eu não estou sustentando posição nenhuma, eu estou atacando a sua. Quem tem que se defender aqui é você - manja "ônus da prova"?

      Deus pode criar uma pedra tão grande que não possa carregar? É a mesma falácia.

      Não, não é.
      Primeiro, porque o paradoxo da pedra só é útil contra quem adere a um determinado tipo de onipotência. Não pretendo entrar em detalhes, porém.

      Segundo, porque o paradoxo nem mesmo se aplica aqui. Você está dizendo que é impossível que as coisas aconteçam de uma forma diferente do que acontecem, mas ao mesmo tempo adere à ideia de que Deus tem o poder de dispor Sua criação como bem quiser.

      Que tal um pouco de silogismo?

      1 - As profecias afirmam que Judas trairá Cristo.
      2 - Não é possível evitar que Judas traia Cristo. (Da sua teoria da NECESSIDADE da profecia, e de 1)
      3 - Deus pode evitar que Judas traia Cristo (Onipotência, ou Romanos 9:18)
      4 - É possível evitar que Judas traia Cristo (de 3).

      Como você concilia estes argumentos? Será que você vai ter que redefinir onipotência, assim como os teístas abertos redefinem onisciência?

      É o mesmo caso das profecias aqui, imagine se Deus "voltasse atrás" e decidisse que não salvaria mais ninguém!

      Antropomórfico demais para minha mentalidade de 32 bits.
      Aliás, eu já disse: as profecias são apenas relatos do futuro, e não a base para se construir a partir delas uma cadeia de causação para todos os eventos.

      Digo isto, porque ele é fiel a sua própria palavra. O que ele diz, ele cumpre. A sua palavra "não cai. Vemos isso de forma bem nítida nas passagens do AT.


      O que não quer dizer muita coisa, afinal o que você disse acima é ambíguo, e nem mesmo tem relação com a necessidade da profecia.

      Quanto ao non sequitur, eu refiz o argumento, quiser eu adapto ele para Pedro.

      1 - Deus predestinou Pedro para salvação.
      2 - Não é possível evitar que Pedro seja salvo. (Da sua teoria da NECESSIDADE da profecia, e de 1)
      3 - Deus pode evitar que Pedro seja salvo (Onipotência, ou Romanos 9:18)
      4 - É possível evitar que Pedro seja salvo (de 3).

      Como você concilia onipotência com este argumento?

      Mais uma vez apelando.

      Se estou dentro das regras e nem cometi falácias, pouco importa se é 'apelação'.

      Sim o futuro é necessário porque ele o estabeleceu assim,

      Mas então o futuro não é mais necessário, pois Ele poderia ter estabelecido um futuro não-necessário. Deus poderia trazer o futuro que bem entendesse à tona.

      e não se segue que, por isso, ele é impotente. O que acontece é que ele fiel a si mesmo.

      Segue, sim. Pois para você nem Deus tem livre arbítrio para trazer um futuro no qual Judas não traia e Pedro não fraqueje - "senão as profecias falhariam".

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    11. A incompatibilidade reside no fato de que se os autores escrevessem por eles mesmos

      E quem escreveu por eles? Seus cachorros? Seus papagaios? O próprio texto diz que foram HOMENS inspirados por Deus que profetizaram.

      sem Deus controlar

      E desde quando algum "crente no livre arbítrio libertário" nega que Deus controlou tais homens?

      Ah é, para você eles são "inconsistentes". E caímos no mesmo problema: prove essa inconsistência entre livre arbítrio e controle. Novamente, o ônus é todinho seu.

      Pode ser também que você ache que Deus só pode controlar se não houver livre arbítrio. Isso seria uma argumentação mais circular que uma bola de futebol.

      Aliás, penso que esta seria outra forma de negar ou "redefinir" a onipotência. Uma onipotência com tantas exceções (além da pedra, claro!) é algo bastante duvidoso!

      , o que garante que teríamos as escrituras da forma como as temos hoje, uma vez que as consideramos como inspiradas?

      Dado que a premissa é falsa - que "Deus não controlou ..." - eu não preciso me preocupar com a conclusão. Nem com o parágrafo seguinte.

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