sábado, 10 de maio de 2014

QUANDO A FUMAÇA SE DISSIPA (SOBRE ALGUMAS AFIRMAÇÕES DO ARMINIANO JERRY WALLS)



Por Steve Hays

            Jerry Walls é o principal filósofo arminiano da sua geração. Ele tem feito algumas concessões impressionantes no Facebook. Os arminianos dogmáticos frequentemente se recusam a reconhecer a tensão entre liberdade libertária e pré-conhecimento divino, mas Walls é mais sincero sobre o dilema:

            Jerry Walls: bem, esta é uma questão complexa, é claro, mas em resumo, eu considero completamente misterioso como é possível saber as escolhas de um futuro distante das pessoas que ainda não existem. Ainda mais desconcertante é como é possível conhecer cada escolha que seria feita por um número infinito de pessoas em todo estado possível de coisas que na verdade NUNCA existirão. Novamente, não somente escolhas possíveis, mas as escolhas reais que elas fariam se elas fossem criadas. E o simples pré-conhecimento eu considero como confuso. O calvinismo e o teísmo aberto são ambos muito mais inteligíveis. Na verdade, eu não ficaria surpreso quando a fumaça se dissipasse e a poeira baixasse se aquelas fossem as duas posições permanentes como as opções viáveis. Mas o calvinismo é moralmente intolerável quando ele é consistente. Difícil dizer o quanto eu me inclino desta maneira, mas eu tenho me inclinado desta forma por enquanto.

            Jerry Walls: Sim, Deus tem pré-conhecimento de muitas coisas, não apenas pré-conhecimento infalível de escolhas indeterminadas.

            Aqui ele toca em um ponto que eu geralmente não vejo discutido. Não é apenas uma questão de se Deus pode conhecer escolhas libertárias discretas. Em vez disso, ao lidar com escolhas no futuro distante, que envolve conhecimento de escolhas aninhadas. Uma longa cadeia de escolhas, não apenas na vida de um indivíduo, mas sobre gerações de indivíduos, onde uma coisa conduz a outra, levando àquele ponto de decisão no futuro distante. Contingências dependem de outras contingências.

            Vamos assumir a liberdade libertária. As escolhas da geração mais velha cria a situação da qual a geração mais jovem faz suas escolhas. Ainda que a situação não determine as suas escolhas, ela determina a gama de escolha deles. À medida que as escolhas passadas criam circunstâncias futuras, esta é a área que contém todas as possibilidades da qual uma geração futura faz sua seleção. 

            Se as escolhas são verdadeiramente livres, então não é apenas uma questão de como Deus pode conhecer uma escolha inerentemente imprevisível, mas é agravado por como Deus pode conhecer cada ligação em uma cadeia de contingências, onde cada uma depende da anterior.

            Ironicamente, Walls corta o nó Górdio ao apelar ao determinismo divino![1]
 
            Jerry Walls: Deus pode determinar muitas coisas, incluindo escolhas humanas a fim de realizar seus propósitos. O que ele não pode determinar é uma escolha livre de amá-lo, adorá-lo, etc.

            Jerry Walls: Eu não acho que as disposições permitem predições precisas, mas mais gerais, como uma em Mateus. Disposições não permite predizer pessoas exatas que se arrependerão, a data exata e o momento do dia, as palavras exatas que elas usarão e assim por diante. De acordo com o molinismo, Deus conhece todos aqueles detalhes e mais. E quanto ao teísmo aberto, Deus nunca fica surpreso no sentido de que ele sabe todas as potencialidades e possibilidades, então nenhuma emerge de que ele não sabia que eram possíveis. E na verdade, eu acho que Ciro e João são explicáveis em termos de orquestração divina ou mesmo determinismo. Enquanto Deus pode determinar ações, ele não pode determinar as escolhas essencialmente pessoais de amar, adorar, confiar, etc. Então o teísmo aberto tem uma porção de opções, como eu disse antes.

            Então, ele se esforça para aliviar o dilema recorrendo a uma alternância ad hoc entre determinismo e indeterminismo, embora aqueles estejam entrelaçados.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/05/when-smoke-clears.html


[1] O nó Górdio aqui citado é uma referência a uma lenda que envolve o rei da Frígia e Alexandre, o grande. Em poucas palavras, cortar o nó Górdio significa tentar resolver um problema complexo de maneira simples.

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