quinta-feira, 19 de junho de 2014

DEUS E AUSCHWITZ: COMENTÁRIO DE STEVE HAYS SOBRE “O MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS” DE ROGER OLSON

               Eu farei um comentário sobre o post de Roger Olson:

http://www.patheos.com/blogs/rogereolson/2014/06/is-this-the-best-of-all-possible-worlds-what-i-would-think-if-i-were-a-calvinist/

 

“A maioria dos calvinistas que eu conheço acreditam em providência meticulosa.” 

 

            De acordo.

 

“Recentemente eu postei um ensaio aqui no qual eu falei sobre a minha propensão de ver o resultado lógico de tudo.”

 

            Sua propensão o desaponta toda vez que ela vem para ver o resultado lógico do arminianismo.

 

“Nós não deveríamos crer em ideias cujo bem e as consequências são inacreditáveis ou objetáveis (para nós mesmos). Em outras palavras, se ideia A leva inexoravelmente, por força da lógica, à ideia B e a ideia B é algo na qual eu não acredito, eu não deveria acreditar em A também.”

            E quanto às verdades reveladas? Se Deus revela algo para nós cujo bem e as consequências necessárias são objetáveis para nós, isto significa que nós deveríamos rejeitar a verdade revelada? Se ela leva a algo nos qual nós não acreditamos, então nós deveríamos realinhar nossas crenças para combinar à realidade. 

“Porém, o ponto que eu quero tratar aqui é que eu acredito que o determinismo divino e a providencia meticulosa, a ideia A de que Deus planeja, ordena e governa tudo sem exceção, leva inexoravelmente pela força da lógica à ideia B de que este é o melhor dos mundos possíveis.”

            Dizer que isto leva àquela conclusão lógica não começa a mostrar que isto leva àquela conclusão lógica. Onde está o argumento lógico para esta conclusão?

“A única questão que eu estou levantando aqui é se um Deus que é perfeitamente bom, onipotente e todo-determinante planejaria, ordenaria e governaria nada menos ou a não ser o melhor mundo possível. Eu não posso imaginar que ele o faria tudo isso.” 

I) Dizer que ele não pode “imaginar” não é um argumento lógico.

II) Ele parece estar sugerindo que se Deus é bom, então deve haver paridade entre a bondade de Deus e a bondade do mundo. O mundo deve ser tão bom quanto Deus. Mas nenhuma criatura pode ser tão bom (isto é, excelente) quanto Deus.

            Um problema pode ser o equívoco no significado de “bondade”. Ele quer dizer bondade moral ou excelência?

“Se este mundo é o melhor mundo a caminho do melhor de todos os mundos possíveis, então ele é, por ora, o melhor mundo possível.” 

            Isto é simplista. Os melhores meios para um fim não fazem os meios bons em si mesmo. Tome amputação para prevenir a morte por gangrena. 

“Eu simplesmente não entendo por que as pessoas que acreditam que Deus planeja, ordena e governa tudo também não acredita que este é o melhor de todos os mundos possíveis. Eu penso que eles deveriam acreditar.”

            Uma razão porque eu não creio nisso é que Olson ainda tem que dar um argumento de apoio para a sua afirmação. Em seu post, ele nunca chega a fazer um argumento lógico para o porquê, dado o calvinismo, este mundo deve ser o melhor mundo possível. Ele continua afirmando o que ele precisa provar.

“Eu posso apenas atribuir aquilo que eles frequentemente não fazem também: (1) ausência de lógica no pensamento deles ou (2) medo de ter que explicar como este é o melhor de todos os mundos possíveis à luz do holocausto e eventos como este.”

            É divertido ver o abismo aberto entre o orgulho intelectual de Olson e seu desempenho intelectual. Ele faz afirmações orgulhosas sobre sua perspicácia lógica, e faz comentários humilhantes sobre seus oponentes calvinistas, no entanto ele falha em demonstrar sua suposição.

“Eu concordo com o teólogo que disse que nenhuma teologia é digna da crença que não pode ser afirmada nos portões de Auschwitz. É preciso coragem para dizer que Deus planejou, ordenou e governou o holocausto. Eu admiro e respeito aqueles calvinistas (e outros deterministas) que creem nisso- pelo rigor e coragem deles.”

            Sim, Deus “planejou, ordenou e governou o holocausto, assim como ele “planejou, ordenou e governou” o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, o exílio babilônico e a queda de Jerusalém (70 DC).

“O problema que imediatamente surge é que se este é o melhor de todos os mundos possíveis então nada pode realmente ser irredutivelmente mal. Se este é o melhor de todos os mundos possíveis então eu devo dizer mesmo do holocausto ‘é uma parte necessária do bem maior.’ Então eu não posso considerar isto verdadeiramente mal. Eu teria que redefinir “mal” para longe do que eu e a maioria das pessoas queremos dizer com este termo.”

 I) Você simplesmente distingue entre se algo é bom em si mesmo e se ele pode ter consequências benéficas mais tarde. Por exemplo, não é bom ser congenitamente cego, mas neste caso, isto teve bons resultados: “E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.” 

            De modo semelhante, a morte de Lázaro não foi boa em si mesma, mas ela foi uma fonte do bem: “Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.”

II) Desde que Olson falhou em lançar seu ônus da prova, não há nada mais que eu realmente precise dizer. Não é minha obrigação refutar um argumento não existente. Mas vamos examinar sua ilustração:

            Por que o Deus arminiano permitiu o holocausto? Afinal de contas, o Deus arminiano tinha o poder de evitá-lo. Então não está o arminiano comprometido a dizer que Deus permitiu o Holocausto para o melhor? Presumivelmente, um arminiano justificará a não intervenção de Deus nos fundamentos de que seria ainda pior para Deus prevenir o holocausto do que permitir o holocausto. Teria sido melhor para Deus intervir, mas ele falhou em fazer isso, então em qual sentido o Deus arminiano é “perfeitamente bom”?

            Então, como Olson escapa da lógica de sua própria estrutura?

III) Olson está assumindo que há um mundo possível melhor para o Deus calvinista predestinar. Mas por que nós deveríamos assumir tal coisa? Tome o holocausto. Um mundo alternativo no qual o holocausto nunca acontecesse é melhor do que o nosso? Melhor em que sentido? Melhor em todos os aspectos?

             Para começar, um mundo no qual o holocausto nunca acontecesse teria um passado e futuro diferentes. As condições históricas levando ao holocausto não existiriam. E as consequências históricas do holocausto não existiriam. 

            No entanto, entre outras coisas, isto requer a eliminação de muitas pessoas do passado e a substituição delas por um conjunto diferente de pessoas. Do mesmo modo, isto requer a eliminação de todas as pessoas que nasceram como um resultado do holocausto. De um modo, isto seria um tipo diferente de holocausto.

            Isto seria melhor para as pessoas que nunca existiram neste mundo alternativo? E se algumas delas estivessem indo para o céu? Ao criar o mundo alternativo, Deus as priva desta bênção incomparável.

            Alguns bens resultam de um mundo onde o Holocausto ocorreu que nunca resultaria sem o holocausto. Então um mundo no qual o holocausto ocorreu é melhor em alguns aspectos, porém pior do que outros. Melhor para algumas pessoas, mas pior para outras.

            Há até mesmo muitos judeus que se beneficiam do holocausto. Há judeus nascidos como um resultado do Holocausto que nunca existiriam à parte daquele evento terrível. Por exemplo, alguns sobreviventes do Holocausto se casaram com pessoas que eles nunca teriam a ocasião de conhecer em um mundo sem as deslocações do Holocausto.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/06/god-and-auschwitz.html

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