segunda-feira, 16 de junho de 2014

PIERRE DU MOULIN (1568-1658) SOBRE A DISTINÇÃO ENTRE A VONTADE ANTECEDENTE E CONSEQUENTE DE DEUS



                Luteranos, arminianos e amyrauldianos distinguiram entre as vontades antecedente e consequente de Deus. Para eles, a vontade antecedente de Deus é a vontade geral de Deus que deseja que todos através de Cristo possam ser salvos (I Tm 2.4). Mas esta expressão da vontade de Deus é antecedente à conduta dos seres humanos. Uma vez confrontados pela graça, os seres humanos podem escolher abraçar ou não a graça sendo oferecida a eles. É esta escolha concreta de indivíduos particulares que torna o objeto da vontade consequente de Deus. Por esta vontade consequente, Deus decreta salvar aqueles que através da fé aceitam a graça divina. Os reformados ortodoxos rejeitaram isto e distinções similares. Eles argumentavam que Desde que Deus é um, e assim não se sujeita a manipulação humana, assim também nós devemos afirmar a unidade da vontade de Deus e sua livre operação na eleição, independente do mérito humano.

                 Pierre du Moulin (1568-1658), um ministro huguenote francês, foi um dos teólogos mais capazes dos seus dias, mantendo numerosas posições incluindo professor de filosofia e grego em Leiden (Holanda), pregador da paróquia em Charenton (França) e professor de teologia em Sedan (França). Sua obra Anatome Arminianismi foi escrita em 1619 para o sínodo de Dort. Abaixo está um excerto dos capítulos 4 e 5 desta obra, na qual ele contra-ataca a ideia das vontades antecedente e consequente de Deus:

“A distinção na vontade de Deus pode em um sentido ser admitida, porque há uma certa ordem entre os propósitos de Deus. Assim, sua vontade de criar o homem estava em ordem anterior à sua vontade de alimentar e vesti-los. Mas com... Arminio, ela é chamada de vontade “antecedente” de Deus, pois ela vai antes do ato da vontade humana; e eles chamam de vontade “consequente” de Deus aquela que é depois da vontade humana e que é assim dependente dela. 

Entre essas duas vontades de Deus ele coloca esta diferença: esta vontade antecedente de Deus pode ser resistida, a consequente não pode. Ele teria isto (a) que Deus deveria ficar despontado em sua vontade antecedente e falhar em seu fim proposto; mas (b) a vontade consequente de Deus não pode ser frustrada, mas deve necessariamente ser cumprida. Pois ele pensa que Deus nem sempre realiza aquilo que ele pretende.

Entre essas duas vontades de Deus (se algum crédito pode ser dado a Arminio) a vontade humana vem na qual faz (causa) Deus anular sua vontade antecedente... O força a abandonar seu fim proposto, o levando a voltar-se para outro fim que não aquele que ele primeiro pretendeu.

É certamente claro que esta vontade “antecedente” de Deus não é uma vontade realmente, mas apenas um desejo... E por isto é dito a respeito de Deus como alguém querendo e desejando [e assim] de uma maneira antropopática. 

É também absurdo, na verdade ímpio, afirmar que Deus, por quem todas as coisas da eternidade não são apenas previstas senão também providas devesse pretender algo que da eternidade ele sabia que não aconteceria.

Que coisa há aqui como resistência entre estas duas vontades de Deus, da qual a última corrige a primeira! Pois por esta vontade antecedente Deus deseja fazer aquilo que da eternidade ele está certo de que ele não fará.”

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://deovivendiperchristum.wordpress.com/2013/10/04/pierre-du-moulin-1568-1658-on-the-arminian-distinction-between-the-antecedent-and-consequent-will-of-god/

Nenhum comentário:

Postar um comentário