quinta-feira, 5 de junho de 2014

SUPRALAPSARIANISMO – A BELEZA DA LÓGICA E DA DOUTRINA

Por Jason Grabulis


            Há dois pontos de vista principais de como Deus decretou salvar os eleitos de toda a eternidade: o infralapsarianismo e o supralapsarianismo. O ponto de vista reformado dominante é o infralapsarianismo, mas célebres teólogos como Martinho Lutero, John Knox, Theodore Beza, Huldrych Zwinglio, Jerome Zanchius, e Franciscus Gomarus defendiam o supralapsarianismo. Ainda mais, três bem conhecidos teólogos modernos também têm defendido ardentemente o supralapsarianismo: Geerhardus Vos, Gordon Clark, e Dr. Robert Reymond.

            Aqui está uma breve análise dos dois pontos de vista com uma excelente atualização do supralapsarianismo que é convincente, bíblica e consistente logica e doutrinalmente.

Infralapsarianismo – refere-se à ordem histórica dos decretos de Deus na salvação. Assim eles ordenam os decretos de Deus na salvação como se segue:

1. O decreto de criar o mundo e todos os homens.
2. O decreto [decreto?] da queda de todos os homens no pecado.
3. O decreto de eleger alguns pecadores para a salvação e os reprovados para justiça.
4. O decreto de que a obra da cruz de Cristo realizaria a redenção pelos eleitos.
5. O decreto da obra da cruz de Cristo ser aplicada aos eleitos.

            Essencialmente, eles defendem que Deus primeiro decreta criar o mundo e permitir a queda antes de promulgar um princípio específico em Cristo entre os homens – assim “infra” depois do “lapso”, da queda. A ordem dos decretos segue a ordem cronológica da suposta execução na história. Infralapsarianos também defendem que a ordem deles dos decretos Deus distinguiu entre homens como pecadores e não entre homens como meramente homens – esta é a principal acusação deles contra o supralapsarianismo.

            Supralapsarianismo – refere-se à ordem lógica/teológica dos decretos de Deus na salvação. Assim, eles organizam os decretos como se segue: 

1. O decreto de eleger alguns homens para a salvação e os reprovados para a justiça.
2. O decreto de criar o mundo e todos os homens.
3. O decreto da queda de todos os homens no pecado.
4. O decreto de que a obra da cruz de Cristo realizaria a redenção pelos eleitos.
5. O decreto da obra da cruz de Cristo de ser aplicada aos eleitos.

            Os supralapsarianos defendem que o princípio de particularização da obra da cruz de Cristo e para quem é ela é o princípio unificador de todos os decretos – portanto ele vem antes “supra” da queda “lapso”. Porém, os infralapsarianos acusam a visão supralapsariana tradicional como distintiva entre homens como homens e não como pecadores. 

 Theodoro Beza- supralapsariano

            Porém, o Dr. Robert Reymond, antes do seminário teológico de Knox, faz um ajuste na visão histórica do supralapsarianismo. O ajuste que Dr. Reymond faz cria um esquema supralapsariano logica e doutrinalmente consistente. É como se segue:

1. O decreto de escolher alguns pecadores em Cristo e os reprovados para justiça a fim de manifestara graça de Deus dada aos eleitos.
2. O decreto de aplicar a obra da cruz de Cristo aos eleitos.
3. O decreto de realizar a obra da cruz de Cristo pelos eleitos.
4. O decreto de permitir a queda do homem no pecado.
5. O decreto de criar o mundo e todos os homens em e através de Adão.

            Assim, a ordem dos decretos é estruturada de acordo com como uma mente racional organiza um plano. A saber, uma mente racional começa com seu objetivo final e move-se progressivamente através de cada meio para alcançar aquele propósito. Portanto, a execução do plano é feita em ordem retrógrada de forma que o primeiro na realização é o último decreto e vice-versa.

            Adicionalmente, este esquema responde a crítica infralapsariana e retrata Deus como escolhendo os eleitos entre homens como sendo pecadores – resolvendo assim a crítica tradicional contra o supralapsarianismo.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Fonte: http://www.bringthebooks.org/2008/03/supralapsarianism-beauty-of-logic.html

12 comentários:

  1. A predestinação sublapsariana(não supralapsariana).Esta é a visão de Agostinho, o primeiro teólogo, oriental ou ocidental, a ensinar a predestinação incondicional.Além de Agostinho, Martinho Lutero ensinou a predestinação sublapsariana. Outro ponto de vista é da predestinação supralapsariana. Ninguém ensinou claramente o supralapsarianismo antes de Calvino, e nem sequer é certo que Calvino o fez. O genro de Calvino, no entanto, Teodoro Beza que ensinou por muito tempo na escola de Calvino, em Genebra, e foi um dos professores de Tiago Armínio, definitivamente ensinou a predestinação incondicional supralapsariana.
    Uma quarta visão da predestinação é a predestinação condicional de Tiago Armínio. Armínio ensinava que Deus predestinou cada pessoa para um destino eterno, mas que esta predestinação se baseia no pré-conhecimento de Deus da livre resposta ou livre rejeição do evangelho pelo indivíduo. Esta é às vezes chamada de predestinação de classe: que Deus predetermina que a classe inteira daqueles que crêem livremente está predestinada a ir para o céu, e que está predeterminado que todos aqueles que, embora sendo ajudados pela graça preveniente, rejeitam a Cristo, vão para o castigo eterno.
    1-sublapsariana.( Esta visão é também chamada Infralapsarianismo).
    2-supralapsariana.
    3-Predestinação condiciona

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    1. "Ninguém ensinou claramente o supralapsarianismo antes de Calvino, e nem sequer é certo que Calvino o fez." Se engana, pois Gottschalk de Orbais no século 9, bem antes de Calvino, mais de 700 anos antes, era um supralapsariano. Quanto a Calvino, ele é sempre um dilema não só nessa questão. No entanto, nas institutas ele deixa bem claro a posição supralapsariana.

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    2. Tudo bem... posso está engando.
      Vc tem algum artigo ou link de outro site,pode ser inglês,sobre Gottschalk de Orbais abordando o supralapsarianismo ?

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  2. Boa noite vocês poderiam me mandar estudos, artigos e fontes das citações supralapsarianas de Theodoro Bessa e John Knox ? Já ouve mesmo que eles eram supras, porém nunca li nada deles sobre isso, se der para vocês me enviar artigos deles sobre isso eu agradeço, sobre Calvino Sproul no livro dele eleitos de Deus, pelo que ele comentou ele diz que Calvino não era dessa posição supra não.

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    1. Posso pesquisar em outros sites, pois em português não tem nada. Quanto a Calvino há duvidas se ele era supra ou infra. A questão é que nas institutas ele se mostra claramente supra, mas nos comentários parece infra.

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  3. Uma quarta visão da predestinação é a predestinação condicional de Tiago Armínio. Armínio ensinava que Deus predestinou cada pessoa para um destino eterno, mas que esta predestinação se baseia no pré-conhecimento de Deus da livre resposta ou livre rejeição do evangelho pelo indivíduo.

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  4. Olá! É muito bom e pertinente tal assunto, pois há muitas duvidas na cabeça de muitos irmãos, principalmente batistas.Eu particularmente, fico com Arminio, pelo fato dele ter coerência com as Escrituras.

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  5. Graça e paz, irmãos. Fico com a posição supralapsariana por entender que ela além de ser mais clara que a posição infralapsariana possui rico material bíblico. A predestinação condicional de Armínio ao que se vê é antbíblica e um seríssimo desvio doutrinário do agostinianismo e devemos ter cuidado ao abordar essa visão. Esta teoria preocupa-se somente com a ordem cronológica dos decretos eternos e vão considera a ordem lógica destes decretos. Durante séculos os verdadeiros cristãos sustentaram a doutrina da predestinação incondicional. O que a teoria da predestinação condicional ensina:
    1) Ensina que a graça divina foi oferecida indistintamente a todos os homens em medida suficientes para capacitá-los ao arrependimento, a crer e a guardar todos os mandamentos de Deus.
    2) Esse ensino nega que o homem, por sua queda, tenha perdido a sua capacidade para o bem. Os defensores deste ensino insistem que que a liberdade e caridade, nos termos arminianos, é essencial à nossa natureza, e não pode ser perdida sem a perda da humanidade.
    3) Ensina-se que a capacidade para o bem, por si só, não é suficiente para assegurar o regresso da alma para Deus. Assim os homens necessitam da prevenção, do estímulo e da assistência da graça de Deus para a sua conversão e vida santa.
    4) Ensina-se que o cristão é predestinado para a vida eterna, não como indivíduos, mas apenas como uma “classe”. O decreto da eleição nesta acepção não se concentra nas pessoas, mas, é o propósito divino de salvar crentes, simplesmente.
    5) Ensinam com verdade que todos os homens derivam de Adão uma natureza corrupta pela qual se inclinam para o pecado. Entretanto, negam que essa corrupção seja da natureza do pecado. Em outras palavras, os homens são responsáveis somente por suas próprias ações voluntárias e pela consequência de tais ações.
    6) Por fim, assume-se que aqueles que de seu próprio livre-arbítrio, e no exercício daquela capacidade que lhe pertence desde a queda, cooperam com essa graça divina, sendo convertidos e salvos. Há pensadores arminianos como Limborch e Episcopius que vão além desta linha de interpretação, que ao invés de limitarem esta graça suficiente aos que ouvem o Evangelho, estende-a a toda a humanidade.
    Conforme se verifica, a salvação nesta acepção é ato meritório do ser humano. Em outras palavras, Deus tem a intenção de salvar, mas depende exclusivamente do homem aceitar essa graça ou rejeitá-la. As Escrituras Sagradas em nenhum momento fazem menção de tal ensino. No mínimo é ofensivo ao Espírito bíblico. Em relação ao infralapsarianismo, é evidente que todo plano eterno de Deus foi pensado na eternidade. E o propósito de criar sucede ao propósito de eleger. Portanto, não há incompatibilidade com as Escrituras entender que o propósito de predestinar e eleger precedem o propósito de criar, uma vez que não se trata de estabelecer neste debate a cronologia dos fatos, mas sua ordem lógica.

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  6. Senhores, tenho uma posição teológica definida, mas ao contrário de muitos cristãos que gostam de tratar como idiotas aqueles que pensam de forma diferente, eu sempre busco tentar compreender as diversas maneiras de pensar das pessoas, sobretudo quando diz respeito as sagradas escrituras. Nesse sentido Gostaria de tirar uma dúvida sobre a forma de pensar e interpretar a bíblia dos calvinistas. Há dúvida é a seguinte: Haverá um juízo final no qual todos os seres humanos serão julgados?

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  7. Irmãos, estamos falando de um Deus Soberano e não de um super-homem. Por tanto, este Deus Supremo não se limita a tempo ou à vontade do homem. Ele só se sujeita à sua própria vontade, quer nos decretos eternos, quer na salvação ou condenação eterna, quer na sua criação ou quer no juízo final. Tudo é exclusivamente feito para sua glória.

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  8. Creio em um Deus Bom e Justo, e não entendo que sua soberania, contradiga a noção de responsabilidade humana através do livre-arbítrio, ou será que nosso Deus soberano está impedido de responsabilizar o ser humano por suas ações, ou de lhe dar livre arbítrio? certamente não, pois afinal de contas quem poderia impedir esse Deus?

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