sábado, 7 de junho de 2014

UM ARGUMENTO CRISTOLÓGICO CONTRA O PRINCÍPIO DAS POSSIBILIDADES ALTERNATIVAS

Por James N. Anderson


            Muitos (não todos) que defendem o livre arbítrio libertário endossam o princípio das possibilidades alternativas (PPA):

PPA: S é moralmente responsável por fazer A somente se S pudesse ter feito o contrário.

            PPA tem continuamente sido criticado desde o artigo de Harry Frankfurt em 1969, e muitos filósofos (incluindo um número de libertários importantes) que agora aceitam que PPA é falso.  Deixando os argumentos filosóficos de lado, porém, me parece que qualquer cristão ortodoxo deve rejeitar PPA nas bases teológicas.

            Considere o seguinte argumento da doutrina da impecabilidade de Cristo.

1. Cristo não poderia ter pecado.
2. Portanto, Cristo não poderia ter feito outra coisa senão se abster de pecar.
3. Cristo era moralmente responsável quando ele se absteve de pecar.
4. Se a habilidade de fazer o contrário é uma condição necessária da responsabilidade moral, e Cristo era moralmente responsável quando ele se absteve de pecar, então Cristo poderia ter pecado.
5. Portanto, a habilidade de fazer o contrário não é uma condição necessária da responsabilidade moral (isto é, PPA é falso).

            O argumento é dedutivamente válido, então o defensor do PPA precisa rejeitar uma das premissas. Ele deve depender basicamente ou de 1 ou 3, desde que 2 é simplesmente uma reapresentação de 1, e 4 é uma verdade lógica.

            O defensor do PPA poderia ser mais inclinado a negar 1, mas deve ser reconhecido que há um argumento modal muito forte em favor de 1. Se Deus é necessariamente bom então é logicamente impossível para Deus pecar; e se Cristo é Deus encarnado então é logicamente impossível para Cristo pecar. O Teísmo Clássico/Anselmiano conjugados com a cristologia Nicena/Calcedoniana implica que Cristo não poderia ter pecado (no sentido mais forte de que “não poderia”). A lógica deste argumento, alguém poderia dizer, é impecável.

            Então, negar 1 não é uma opção atrativa. Mas nem é negando 3 por várias razões. Primeiro, ela implica que a vida sem pecado de Cristo não era moralmente louvável, porque a responsabilidade moral é uma condição necessária para louvor moral. (Em que o cristão estaria confortável dizendo que sua vida, apesar de todas as suas falhas, é mais moralmente louvável do que a de Cristo?).

            Segundo, ela parece minar a significância moral das tentações de Cristo. O que importa que Cristo fosse o “único que em todos os aspectos foi tentando, como nós somos, ainda que sem pecado” (Hb 4.15) se Cristo não fosse moralmente responsável quando ele resistiu à tentação?

            Terceiro, ela mina a ideia amplamente sustentada dentro da tradição cristã, de que Cristo mereceu a nossa salvação vivendo uma vida perfeita em obediência à lei moral. Como poderia haver mérito sem responsabilidade moral?

            Eu concluo que qualquer um que sustenta uma cristologia ortodoxa deve rejeitar PPA. É desnecessário dizer que isso traz um problema para arminianos que querem empunhar PPA contra seus irmãos calvinistas.

            Eu duvido muito que eu seja a primeira pessoa a levantar esse argumento, mas eu não me recordo de quando eu o encontrei antes.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://www.proginosko.com/2012/02/a-christological-argument-against-the-principle-of-alternate-possibilities/

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