quinta-feira, 31 de julho de 2014

CHORANDO POR JERUSALÉM: UM COMENTÁRIO DE LUCAS 19.41-44

Por Steve Hays


“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.” (Lc 19.41-44)

            Aqui temos um texto de prova arminiano. A princípio, há duas formas de entender a passagem.

I. A perspectiva de Deus

            Nesta visão, a passagem não é apenas uma reflexão do ponto de vista de Cristo, mas o ponto de vista de Deus. Uma janela para a atitude de Deus em direção ao perdido.

            Vamos admitir esse entendimento para o desenvolvimento do argumento. O problema é: os Judeus de Jerusalém não eram as únicas pessoas a sofrer ou morrer no cerco e saque de Jerusalém. Muitos soldados romanos foram mutilados ou mortos naquela operação. No entanto, Jesus não chora por eles. Ele não chora pelos agressores.

            Talvez você diria que os soldados romanos não têm direito a simpatia. Mas isto é inconsistente com a ênfase arminiana na onibenevolência de Deus.

            Além disso, Roma nunca teve um exercito só de voluntários. O exército romano incluía muitos recrutas forçados. Daí há um sentido no qual as vítimas romanas são tão vítimas quanto as vítimas judaicas. E não é como se os judeus caíssem sem luta. Eles levaram vários judeus com eles.

            Então, se o texto revela a perspectiva de Deus, ele revela sua preocupação seletiva pelo povo escolhido. Se nós admitirmos a premissa arminiana (isto é, ele reflete a perspectiva de Deus), então ele se torna um texto de prova para a parcialidade do amor divino. Uma premissa arminiana produz uma conclusão calvinista.

II. A perspectiva de Cristo

            Nem tudo o que é verdadeiro sobre Deus encarnado (o filho) é verdadeiro sobre Deus desencarnado (o Pai e o Espírito). Devido às duas naturezas de Cristo, algumas coisas serão verdadeiras de Cristo que não serão verdadeiras de Deus enquanto Deus.

            Logo, esta passagem pode bem refletir a humanidade de Cristo. Seus sentimentos humanos. Seus afetos humanos. Sua empatia natural por seu próprio povo: o povo judeu. Um senso de solidariedade com seus pais. Sua família estendida.

            Você chora quando sua própria mãe morre; você não chora quando toda mãe morre.

            A encarnação faz uma diferença: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”

            Se, à parte da encarnação, Deus tem a mesma perspectiva, então a encarnação é supérflua— pois a natureza divina pode fazer o “truque” todo por si só. E isto é amplificado pelos arminianos que rejeitam a substituição penal. Neste caso, há ainda menos lógica para a encarnação.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/weeping-for-jerusalem.html

2 comentários:

  1. I. A perspectiva de Deus

    Aqui Hays comete vários erros. O primeiro é nem ao menos se dar o trabalho de esclarecer QUAL exatamente o argumento arminiano que ele tenta refutar. Mas eu farei esse trabalho para ele, o argumento do arminiano é que mesmo que o lamento seja para o povo escolhido, Israel, é extremamente estranho considerando que foi o próprio Deus que predestinou o pecado desse próprio povo, que não concedeu graça irresistível e que sentido tem todo esse lamento uma vez que o povo não poderia agir de forma diferente uma vez que não eles não tem LAL? Poisé...

    Algo digno de menção:"Talvez você diria que os soldados romanos não têm direito a simpatia. Mas isto é inconsistente com a ênfase arminiana na onibenevolência de Deus"

    Não há nenhuma incoerÊncia. ninguém merece simpatia, Deus concede misericórdia por pura graça a quem ele quer e como ele quer. Alguns mais benevolência e a outros menos. Não há nada disso inconsistente com o arminianismo.

    Ps: Que estratégia bizarra de desviar a atenção do leitor ao fato de que Deus supostamente não tenha chorado pelo império romano, mas por Israel somente e que isso se tornaria favorável ao calvinismo rs. O fato foi que Deus chorou por Israel incrédulo aonde havia os repróbros.

    II. A perspectiva de Cristo

    Não vou me delongar aqui, mas Hays ignora como a encarnação aprofunda a empatia Divina em relação aos seres humanos para o fato de Deus SE TORNAR HUMANO. Deus não somente tem simpatia com o caído, mas empatia. Deus já chorou muitas vezes por Israel na no AT, isso pode ser visto nos profetas por exemplo, devida a grande rejeição do seu povo, assim como Jesus se lamentou agora mostrando tristeza com o pecado do Povo e não numa espécie de identificação com o mesmo.

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  2. “Aqui Hays comete vários erros. O primeiro é nem ao menos se dar o trabalho de esclarecer QUAL exatamente o argumento arminiano que ele tenta refutar. Mas eu farei esse trabalho para ele,”
    Isso não é um erro. Não era necessário esclarecer o ponto do arminiano pois é bem óbvio. O arminiano crê que ali a vontade de Cristo (Deus) foi frustrada.

    “o argumento do arminiano é que mesmo que o lamento seja para o povo escolhido, Israel, é extremamente estranho considerando que foi o próprio Deus que predestinou o pecado desse próprio povo, que não concedeu graça irresistível e que sentido tem todo esse lamento uma vez que o povo não poderia agir de forma diferente uma vez que não eles não tem LAL? Poisé...”
    E daí? O que há de errado com isso? Qual a contradição? Deus não pode reagir ao que ele mesmo decretou? Por que não? Quem criou essa lei?

    “Não há nenhuma incoerÊncia. ninguém merece simpatia, Deus concede misericórdia por pura graça a quem ele quer e como ele quer. Alguns mais benevolência e a outros menos. Não há nada disso inconsistente com o arminianismo.”
    O arminianismo não concorda que Deus concede misericórdia a um e não a outro. O arminiano não concorda que Deus é mais benevolente a uns que a outros. Mas se você discorda do arminianismo nesse sentido, então que bom.

    “Que estratégia bizarra de desviar a atenção do leitor ao fato de que Deus supostamente não tenha chorado pelo império romano, mas por Israel somente e que isso se tornaria favorável ao calvinismo rs.”
    Não é nenhum desvio. Onde há estratégia bizarra aqui?

    “Não vou me delongar aqui, mas Hays ignora como a encarnação aprofunda a empatia Divina em relação aos seres humanos para o fato de Deus SE TORNAR HUMANO. Deus não somente tem simpatia com o caído, mas empatia. Deus já chorou muitas vezes por Israel na no AT, isso pode ser visto nos profetas por exemplo, devida a grande rejeição do seu povo, assim como Jesus se lamentou agora mostrando tristeza com o pecado do Povo e não numa espécie de identificação com o mesmo.”

    De novo: qual o problema com isso?

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