sábado, 26 de julho de 2014

O SUPRALAPSARIANISMO CRISTOLÓGICO DE THOMAS GOODWIN



Por R. George Swale

            O puritano Thomas Goodwin tratou sobre os temas da eleição e predestinação com muito detalhe. Um assunto que está relacionado a estas doutrinas é o seu supralapsarianismo que é a crença de que “o decreto da predestinação divina deve preceder logicamente o decreto concernente a criação da humanidade e da queda a fim de preservar a absoluta soberania de Deus” (Beeke & Jones, Puritan Theology, 120). Esta posição difere da posição infralapsariana que vê a eleição e a predestinação como sendo decretada depois dos decretos da criação e da queda. Goodwin entendeu que a escolha de Deus como acontecida antes da queda estava exatamente em mente. Ele entendeu que isto é para a glória de Deus de forma que o fim principal de sua escolha seria a glória da segunda pessoa da trindade, Jesus Cristo o filho de Deus.

            Goodwin argumentou que Deus viu a humanidade como não-caída em sua eleição dos seres humanos, mas que Deus também viu o homem como sendo caído e pecador em seus decretos quanto aos meios e o fim (Goodwin, Discourse on Election in Works, 9:84). Em outras palavras, “na eleição, Deus decreta dar ao homem vida eterna sem consideração da queda” (Beeke & Jones, Puritan Theology, 120). Porém, Goodwin entendeu a predestinação como uma predestinação à crença na morte expiatória do Deus-homem que necessita da condição caída daqueles predestinados. Então ele diria que Deus eternamente elegeu alguns para a vida eterna antes de decretar a queda, e que com a queda da humanidade no pecado em vista, ele predestinou aqueles já eleitos para ter fé na obra expiatória de Cristo Jesus. Estas são algumas distinções interessantes que são difíceis de entender, mas a questão é que Goodwin acreditava que o pai elegeu seu povo para a salvação antes que a nossa queda em pecado estivesse em vista. Sabendo que nós cairíamos em pecado, ele então nos predestinou para crer na vida, morte e ressurreição do rei Jesus. Isto é o meio para o fim da vida eterna com Cristo Jesus para a qual nós somos eleitos. A glória de Jesus é o objetivo final de todos estes decretos.

            Como Goodwin explica: “Vós orais por redenção e perdão de pecados, e fazeis bem, pois vós necessitais disso; e para os pecadores, quando eles estão oprimidos e sobrecarregados com seus pecados, é isto que é primeiramente objetivado diante deles pelo espírito no mundo; Mas permitam-me lhes dizer, há uma coisa por trás que é mais remota e oculta aos nossos pensamentos que é a união com Cristo e com Deus, cujo o maior prazer tomará lugar no outro mundo, quando o pecado for esquecido” (Goodwin, A Discourse of Election in Works, 9:114) . A união com Cristo e com a divindade trina é o objetivo final de nossa eleição e de nossa salvação. A glória de Deus em Cristo no nosso gozo desta bendita união é a principal motivação e o principal fim dos decretos divinos. 

            Duas das coisas que Goodwin mais buscou sustentar foram a soberania de Deus e a supremacia da glória de Cristo. A eleição não foi motivada por quais quer circunstâncias exceto o desejo de Deus de glorificar a si mesmo através da união de um povo para ele mesmo. Cristo está no centro de todos estes decretos e o nosso gozo nele é a razão para eles.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://rgeorgeswale.wordpress.com/2014/05/27/thomas-goodwins-christological-supralapsarianism/

Nenhum comentário:

Postar um comentário