sexta-feira, 4 de julho de 2014

UMA REFUTAÇÃO AO ARTIGO INTITULADO “DESMISTIFICANDO UM FALSO DILEMA CALVINISTA”


Por Francisco Alison Silva Aquino

            No meu blog PELO CALVINISMO eu postei um artigo intitulado "UM ARGUMENTO CRISTOLÓGICO CONTRA O PRINCÍPIO DAS POSSIBILIDADES ALTERNATIVAS" desenvolvido por James N. Anderson. O objetivo do artigo consistia em refutar o conceito de PPA (princípio das possibilidades alternativas) se utilizando de um argumento cristológico. A questão é que os arminianos afirmam que a habilidade de fazer o contrário (livre arbítrio libertário) é uma condição necessária para a responsabilidade moral. Nesse sentido, James Anderson, com base em um argumento cristológico, refuta tal ideia.

            O motivo pelo qual escrevo este breve artigo reside no fato de uma má compreensão por parte do autor que produziu um artigo a respeito do argumento desenvolvido por James N. Anderson. Sendo assim, algumas considerações devem ser feitas.

            Em resposta à primeira premissa: “Cristo não poderia ter pecado” o autor responde o seguinte:

“Um calvinista entende que Cristo não podia pecar em virtude de uma predestinação, pré-ordenação, porque assim todos os seres deste mundo, incluindo a Cristo, foram predestinados.”

            Primeiro, não é intenção do artigo demonstrar de que depende o “não pecar” de Cristo, se de uma predestinação ou da própria natureza dele (como se ambas se contradissessem!). A ideia de todo o silogismo é desmistificar o conceito arminiano de livre arbítrio libertário (poder de escolha contrária como sendo base da responsabilidade) partindo de um argumento Cristológico. 

            O fato é que se, como dizem os arminianos, o poder de escolha contrária é uma condição necessária para a responsabilidade moral, então Cristo poderia ter pecado (tomando esse argumento como um exemplo, embora pudéssemos utilizar outros). No entanto, se Cristo NÃO PODERIA ter pecado, como tanto calvinistas como arminianos creem, então se segue que o poder de escolha contrária não é condição necessária para a responsabilidade moral. Mas se, como o nosso irmão disse, a responsabilidade de Cristo está intrinsecamente ligada à sua natureza, então podemos aplicar a mesma ideia com os homens caídos, isto é, eles são responsáveis por fazerem coisas conforme sua própria natureza, e aqui não entramos nem no campo da causação propriamente dita. Basta dizer que não há espaço para livre arbítrio libertário aqui. Se existe uma base para uma responsabilidade moral, tal base não é a suposta liberdade como querem os arminianos. E isso responde ao que ele propõe em seguida ao dizer: 

“Ora, o fato de Cristo se abster de pecar não encontra pouso em uma predestinação, mas em sua liberdade. Por ser não escravo do pecado, como toda a humanidade caída e, portanto, sendo livre do pecado, podia se abster do pecado. O não pecar advém de sua própria natureza santa, do seu ser, de seu interior, de sua liberdade e não de uma força irresistível exterior, mas como fruto de sua liberdade, a mesma liberdade do pecado que deseja conceder a todos e que concede aos que crêem, isto é, a possibilidade de (pela Graça) resistir ao pecado. Jo 8.32-36.”

            Não há nem uma refutação aqui ao silogismo apresentado por Anderson. Ou seja, não há nenhuma justificativa em defesa do princípio das possibilidades alternativas. Ademais, é esperado que o nosso irmão apresente seus argumentos em favor do livre arbítrio libertário sem ferir os princípios elementares que regem o silogismo. Que o leitor tire suas conclusões.

            Em seguida, o autor afirma:

 “É claro que Cristo era moralmente responsável, pois agiu em sua liberdade. O que o calvinista tenta supor é que se Cristo não podia pecar então, subentende-se que, ele não era livre e ainda assim moralmente responsável por seus atos.

Ora, tal pensamento faz com o pecado pareça uma brincadeira ou que se as tentações (que nos seduzem ao pecado) fossem mera ilusão e não uma investida, uma possibilidade. Como se Cristo, por uma determinação e não em razão de si mesmo, estivesse impedido de pecar.

            Novamente não há nenhuma refutação aqui. Temos que ter em mente que o ponto aqui é se de fato o livre arbítrio libertário é uma condição sine qua non da responsabilidade moral. Ele falha mais uma vez em provar isso. Repetindo: partindo da ideia de que Cristo não poderia pecar, como de fato não podia, (e aqui não importa se isso é em virtude de predestinação ou seja lá o que for!), então o poder de escolha contrária não é condição da responsabilidade moral. Mas se esse tal livre arbítrio libertário é uma condição sine qua non da responsabilidade moral isso tem que ser demonstrado. Essa é a falha do nosso irmão. 

            Ele continua citando textos que comprovam que Cristo não poderia ter pecado mesmo em meio às tentações. Mas eu me pergunto qual a razão disso. Será que ele pensa que alguém duvida que Cristo não poderia ter pecado? Espero que não. Mais uma vez: nenhuma refutação até agora.

            Ele acrescenta: 

O não pecar não é fruto de pré-condição, mas de sua própria natureza. A possibilidade do pecado, mediante as tentações, estava sempre diante dele (enquanto homem-Deus), e como o leão, mesmo tendo fome e fragilizado em sua natureza humana, não contrariou sua natureza divina.” 

            Pouco importa isso para o argumento, a questão ainda permanece sem ser respondida.

            E por último:

“Portando, dizemos nós, já está mais que demonstrado que o fato de Cristo não poder pecar não implica em uma negativa de possibilidades alternativas, pois no mínimo poderia escolher como (modo) não pecar. Falso, não é o princípio das possibilidades alternativas, mas o dilema levantado pelo teólogo predestinista.”

            Mais que demonstrado? Onde? Na verdade o autor só fez o que eu gostaria: provar que a responsabilidade moral não se baseia em um poder de escolha contrária (livre arbítrio libertário). Colocando de outra forma, PPA não é uma condição sine qua non da responsabilidade moral. De acordo com o próprio irmão, no mínimo, a condição para responsabilidade moral reside na própria natureza pecaminosa do homem (sem entrar aqui no campo da causação), não na sua suposta liberdade, livre arbítrio libertário ou seja lá o nome que queiram dar. Parece que ele nem percebeu!

            Quanto às considerações a respeito dos concílios eu não comentarei nada por dois motivos: (1) Não vejo como isso atrapalha o objetivo do artigo de James Anderson; (2) Não contribui em nada na tentativa de refutar o artigo. 

            Finalmente, temo que o nosso irmão não tenha compreendido o objetivo por trás do silogismo, a saber, provar que a responsabilidade moral não se baseia em liberdade libertária. Portanto, ao concluir que Cristo não poderia ter pecado, e ele é responsável por se abster de pecar, segue-se que o livre arbítrio libertário NÃO É CONDIÇÃO PARA A RESPONSABILIDADE MORAL. Em outras palavras, a ideia de que alguém só pode ser considerado responsável se ele puder fazer o contrário é FALSA. Eu poderia continuar citando alguns pontos contraditórios do nosso irmão, mas como eles nem ajudam e nem atrapalham o objetivo central do artigo, então eu opto por não me prolongar aqui. Logo, concluo dizendo que não houve refutação alguma contra o argumento elaborado por Anderson. 

Disponível em: http://estudos.gospelprime.com.br/desmistificando-falso-dilema-calvinista/. Acesso em 03/07/2014

 

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