sexta-feira, 22 de agosto de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO - Gn 45.8; 50-20



            Iniciaremos uma série com comentários exegéticos de textos que sustentam o ponto de vista calvinista. A série consiste na exposição de um determinado texto da escritura assim como sua exegese de vários eruditos (calvinistas, arminianos e um teísta aberto).

“Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos aborreçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Deus enviou-me adiante de vós, para conservar-vos descendência na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda a terra do Egito.” (Gn 45.5-8)
“Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida.” (Gn 50.20)
            Deus usou o crime deles para seus propósitos, propósitos que eles não poderiam ter antecipados. Aqui José ressoa a convicção teológica abrangente da novela de José: os propósitos de Deus não são frustrados pelo pecado humano, mas antes desenvolvidos por ele através de sua boa graça. A mão de Deus é vista não apenas em intervenções claramente miraculosas e revelações, mas também no exercício do propósito divino através da agência humana, frágil e débil como ela é. José sabe que isto é verdade: “Vós me vendestes”, mas “Deus me enviou”.

            José não nega a má intenção deles. Mas o jogo de palavras, usando o mesmo verbo com idiomas diferentes, destaca a forma como Deus tornou a má intenção dos homens em uma oportunidade para realizar seus bons propósitos. Eles planejaram mal, mas Deus reconfigurou o mal deles e produziu o bem a partir dele. Os irmãos venderam José para o Egito com uma má intenção, mas foi realmente Deus quem o trouxe para o Egito a fim de preservar a vida. (B. Arnold, Genesis (Cambridge 2009), 361,388).

            A providência de Deus direcionou tudo, até mesmo o crime dos irmãos. Isto sublinha o propósito verdadeiro da narrativa de José: Deus é o sujeito da historia, e ele está movendo todas as coisas para o fim e objetivo que ele decretou (cf Gn 50.20). Este objetivo é a preservação de um “remanescente” ou semente da terra.

            José novamente destaca o fato da soberania e providencia de Deus. Ele afirma enfaticamente que a verdadeira fonte de sua vinda ao Egito não é a má atividade dos irmãos. Em vez disso, foi a vontade de Deus que provocou as circunstância presentes: esta declaração de abertura claramente proclama a doutrina da providência. Foi Deus quem colocou José nestas várias posições oficiais.

            José simplesmente crê que Deus usa a pecaminosidade dos homens para realizar seus bons propósitos para o mundo: este conceito teológico não é mais forte para o restante das escrituras (veja Pv 16.1; 20.24; Sl 37.23; Jr 10.23). Como Provérbios 16.9 diz: “O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos.” Não  há declaração mais forte a respeito do significado verdadeiro da soberania de Deus na escritura do que o que José diz aqui para seus irmãos.” (J. Currid, Genesis (EP 2003), 2:324-325; 397)

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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