sábado, 30 de agosto de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO - Ex 4.21; 7.3-5



“Disse ainda o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; mas eu endurecerei o seu coração, e ele não deixará ir o povo.” (Êxodo 4.21)
“Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Mas Faraó não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egito, e tirarei os meus exércitos, o meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes juízos. E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a minha mão sobre o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles.”
            O coração de Faraó foi particularmente importante porque os egípcios acreditavam que ele foi o fator controlador na história e na sociedade. Além disso, era sustentada a ideia de que os corações dos deuses Ra e Horus eram soberanos sobre todas as coisas. Porque Faraó é a encarnação daqueles dois deuses, se pensava que o coração dele era soberano sobre a criação.

            Yahweh endurece o coração de Faraó para demonstrar que somente o Deus dos hebreus é o soberano do universo. (J. Currid, Exodus: Chapters 1–18 (EP 2000), 113-14).

            Ao indicar que ele controlaria a resistência de Faraó ao êxodo, Deus garantiu a Moisés de que ele estivesse totalmente em controle de Faraó em todos os sentidos, capaz de fazer resisti-lo o quanto necessário mesmo durante o aumento das pragas cada vez mais dolorosas e então fazê-lo desistir e deixar os israelitas irem no momento da escolha de Deus (que já era a mensagem essencial de 3.19-20).

            Seu propósito de impedir Faraó de ceder com facilidade e cedo demais foi, como será visto nas partes subsequentes da narrativa, demonstrar sua soberania sobre Faraó, os egípcios, e a própria região do Egito, e os deuses nos quais Faraó e os egípcios confiavam. (D. Stuart, Exodus (B&H 2006), 146-47).

            A significância desse padrão encontra-se na observância de que mesmo quando Faraó é sujeito do endurecimento, ou quando o sujeito não é mencionado, estas afirmações descrevem uma condição resultante delineável a uma ação de endurecimento prévia causada por Deus (7.13, 14, 22; 8.15 [19]; 9.7, 35). Portanto essas declarações não podem se referir ao fato de Faraó endurecer seu coração independentemente, como muitos comentaristas argumentam. Isto não quer dizer que a realidade das decisões volitivas de Faraó e a responsabilidade deveriam ser negligenciadas ou ignoradas; a preocupação deste estudo é sobre a causa última do endurecimento.

            Nunca é afirmado em Ex 4.14 que Yahweh endurece Faraó em julgamento por causa de qualquer razão anterior ou condição residente nele. Antes, como afirmado na conclusão exegética, a única razão ou propósito dado para o endurecimento é que isso glorificaria Yahweh. Portanto, o divino endurecimento de Faraó foi incondicional.


Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

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