sábado, 18 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – I Co 1.26-31



Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;” (I Coríntios 1.26-31).

            O conceito de chamado obviamente implica a necessidade de responder em obediência. Porém, Paulo não usa a linguagem de resposta em contextos onde ele se refere ao chamado convertedor de Deus, deixando a impressão de que este chamado de indivíduos para a salvação é um ato decisivo de Deus. Na verdade, a ação do chamado é sinônima nos versículos 27-28 com Deus escolhendo os fracos, desprezados e humildes. Em outras palavras, na terminologia de Paulo, o chamado é um sinônimo para a divina eleição, ainda que o último seja logicamente anterior.

            Os dois versos 27-28 juntos deixam a impressão inconfundível da ação deliberada e soberana de Deus em reunir, ou “chamar”, seu povo em Coríntio contrário a todas as expectativas. A escolha de Deus da nação humilde de Israel foi do mesmo modo surpreendente e inesperada (Dt 7.7). Este é um padrão estável na história da salvação. De Gênesis em diante, onde ele consistentemente ignora o primogênito, Deus escolhe as figuras mais improváveis, um modelo que ele seguiu em Corinto. Em resumo, os coríntios são o povo de Deus não por causa deles mesmos, mas “por causa dele” (I Co 1.30).

            O objetivo último de Deus em sua atividade de escolher, envergonhar e anular é evitar qualquer jactância humana. O propósito crítico da ação de Deus de exaltar a loucura e abater o orgulho é que ninguém pode cantar seus próprios louvores na presença de Deus. Paulo insiste que todo louvor é para ser reservado para Deus, pois “é por causa dele que vós estais em Cristo Jesus.” Às vezes um breve comentário carrega mais peso do que uma explicação mais longa e mais elaborada. Este é o caso aqui em questão, com as primeiras duas palavras do verso, literalmente “dele”, oferecendo um resumo conciso da conclusão do argumento em 1.31 para gloriar-se somente no Senhor. O ponto é que se é “dele” que os coríntios têm sua posição com Deus, isto é presumivelmente não “de vós mesmos”. É difícil conceber de uma forma mais enfática a graça de Deus em um espaço tão curto. (R. Ciampa & B. Rosner, The First Letter to the Corinthians (Eerdmans 2010), 104,106-108).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

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