quinta-feira, 9 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – RM 8.28-30



E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” (Romanos 8.28-30).

            Se o sujeito é “Deus” ou “todas as coisas” não é uma questão de vital importância, pois em qualquer caso a ideia é que todas as coisas cooperam juntas para o bem por causa da atuação de Deus. Ao dizer que todas as coisas cooperam para o bem panta concentra-se especialmente nos sofrimentos e tribulações, mas o caráter todo abrangente do termo não deveria ser ignorado. O que é notável, porém, é que mesmo o sofrimento e a tribulação resultam em bem para o cristão.

            Esta última frase não é uma correção da anterior, mas um esclarecimento de modo que o leitor possa localizar com precisão as raízes do nosso amor a Deus. O amor dos crentes por Deus é em última análise devido ao propósito de Deus em chamá-los para a salvação. A intenção e o propósito de Deus recebem a primazia em vez da escolha dos seres humanos. Isto é confirmado em outro lugar em Paulo, pois a eleição, predestinação e chamado dos crentes estão de acordo com o “propósito” de Deus (Rm 9.11; Ef 1.11; II Tm 1.9). Além disso, como a maioria dos eruditos afirma, o “chamado” deve ser entendido como eficaz. Não é simplesmente um convite que os seres humanos podem rejeitar, mas é um chamamento que vence a resistência humana e eficazmente os convence a dizer sim para Deus. Esta definição de “chamado” é evidente em Rm 8.30, pois lá Paulo diz que “aos que ele chamou a estes também justificou.” O texto não diz que “alguns” daqueles chamados foram justificados. Isto funde os chamados e justificados juntos de forma que aqueles que experimentaram o chamado também têm inevitavelmente recebido a benção da justificação. Agora se todos aqueles que são chamados também são justificados, então o chamado deve ser eficaz e deve criar fé, pois “todos” aqueles que são chamados são justificados e a justificação não pode ocorrer sem fé (3.21-22,28; 5.1). Este entendimento também é vindicado pelo 4.17, onde o chamado de Deus eficazmente traz à existência as coisas que não existiam (Cf. Rm 9.24-26; I Co 1.9, 24, 26-28; Gl 1.6, 15; I Ts 2.12; 5.24; II Tm 1.9). A razão fundamental porque todas as coisas cooperam para o bem dos crentes começa a surgir: o propósito “imparável” de Deus em chamar os crentes para a salvação não pode ser frustrado, e assim ele opera todas as coisas para realizar o plano que ele tinha desde o início na vida dos crentes.

            O pano de fundo do termo deveria ser localizado no AT, onde para Deus “conhecer” se refere ao seu amor pactual no qual ele define sua atenção sobre aqueles a quem ele escolheu (Cf Gn 18.19; Ex 33.17; I Sm 2.12; Sl 18.43; Pv 9.10; Jr 1.5; Am 3.2).


(T. Schreiner, Romans (Baker 1998), 449-452, 580).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

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