terça-feira, 11 de novembro de 2014

GRAÇA PREVENIENTE: UMA RESPOSTA A BRIAN ABASCIANO



Por Steve Hays


            Brian Abasciano é presidente da SEA. Ele é um competente erudito do NT. Então é instrutivo ver seu caso positivo para a graça preveniente:

“Como nós temos notado, visto que os seres humanos são seres caídos e pecaminosos, eles não são capazes de pensar, querer, nem fazer nenhum bem deles mesmos, inclusive crer no evangelho de Cristo. Portanto, desejando a salvação de todos e tendo provido a expiação para todas as pessoas, Deus continua a tomar a iniciativa para o propósito de trazer todas as pessoas para a salvação ao chamar as pessoas de todo lugar para se arrependerem e crerem no evangelho (At 17.30; Mt 28.18-20), e ao capacitar aqueles que ouvem o evangelho para responder a ele positivamente em fé. Sem a ajuda da graça, o homem não pode escolher agradar a Deus ou crer na promessa de salvação oferecida no evangelho. Como João diz em Jo 6.44: “Ninguém pode vir a mim se o pai que me enviou não o trouxer.” Mas graças a Deus, Jesus também prometeu, “e eu quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12.32). Assim, o pai e o filho atraem todas as pessoas a Jesus, capacitando-as a vir a Jesus em fé.

Continuando a missão de Jesus de salvar o mundo, o Espírito Santo veio “convencer o mundo do pecado e da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Embora os incrédulos estejam “entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4.18), o Senhor abre o coração das pessoas para responderem positivamente à mensagem do evangelho (At 16.14).

Tudo isto é o que é conhecido na linguagem teológica tradicional como graça preveniente. O termo “preveniente” simplesmente significa “precedente”. Assim, “graça preveniente” refere-se à graça de Deus que precede a salvação, incluindo aquela parte da salvação conhecida como regeneração, que é o início da vida espiritual eterna concedida a todos que confiam em Cristo (Jo 1.12-13). A graça preveniente é também às vezes chamada de graça capacitadora ou graça pré-regeneradora. Este é o favor imerecido de Deus para com as pessoas totalmente depravadas, que são indignas da benção de Deus e incapazes de buscá-lo ou confiar nele em e de si mesmos. Consequentemente, At 18.27 indica que nós cremos através da graça, colocando a graça anteriormente (isto é, logicamente anterior) à fé como o meio pelo qual nós cremos. É a graça que, entre outra coisas, liberta a nossa vontade para crer em Cristo e em seu evangelho. Como Tt 2.11 diz, “pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens.”


I) Nós poderíamos começar perguntando o que motiva a doutrina da graça preveniente. A resposta, eu creio, é que os arminianos queriam evitar o pelagianismo ou semi-pelagianismo. Eles queriam defender uma posição intermediária entre calvinismo e pelagianismo. Então eles afirmam a prioridade e a necessidade da graça divina em relação à fé. Deus, não o homem, deve tomar a iniciativa.

II) O que é digno de nota sobre a documentação de Abasciano é que nenhum destes textos prova a sua afirmação distintiva. É impressionante que ele nem mesmo está consciente da desconexão óbvia.

                Em face disso, nenhum desses textos exige graça preveniente em vez de graça irresistível. No entanto, este contraste é crucial para a sua posição.

                Observe o que eu não estou dizendo. Neste post eu não estou tentando mostrar que os textos de prova dele de fato ensinam a graça irresistível. Antes, eu estou comentando sobre o que eles não mostram.

                Nenhum desses textos indica que a graça em questão simplesmente capacita os não regenerados a crer. Nenhum de seus textos indica que a graça em questão liberta a vontade ou para crer ou “descrer” no evangelho. Eles não dizem ou implicam que o recipiente desta graça está em liberdade para responder positivamente ou negativamente.

                Ainda que seus textos fossem consistentes com a graça resistível, eles parecem ser igualmente consistentes com a graça irresistível. Do mesmo modo, nenhum de seus textos de prova distingue a graça pré-regeneradora da graça regeneradora.

                Por algum motivo estranho, Abasciano age como se seus textos de prova obviamente estabelecessem sua afirmação, embora eles evidentemente fiquem aquém do que ele afirma para eles. No entanto, presumivelmente, estes são seus melhores textos de prova para a graça preveniente.

III) Também é estranho vê-lo citar Tt 2.11 neste contexto. Dado a interpretação arminiana de “todos”, por que este não é um texto de prova para a salvação universal em vez de graça preveniente? De modo notório, há mais de uma forma de traduzir a sintaxe grega, mas dado a tradução que ele citou, como ele evita o universalismo? (E se ele discorda da tradução, por que citar esta versão?)

                De igual modo, dado a interpretação arminiana de “todos”, por que Jo 12.32 não ensina a salvação universal? Se eu puxo (atraio, tiro) a água, a água me recusa?

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/prevenient-grace.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário