terça-feira, 18 de novembro de 2014

JONATHAN EDWARDS SOBRE A DISTINÇÃO ENTRE A VONTADE DECRETIVA E A VONTADE PRECEPTIVA DE DEUS



“Quando é feita uma distinção entre a vontade revelada de Deus e sua vontade secreta, ou sua vontade de ordem e de decreto, a vontade é certamente tomada em dois sentidos. Sua vontade de decreto não é a sua vontade no mesmo sentido em que sua vontade de ordenança o é. Portanto, não há qualquer dificuldade em supor que uma possa ser oposta à outra: sua vontade é, em ambos os sentidos, a sua inclinação. Mas quando dizemos que ele deseja a virtude ou ama a virtude, ou a felicidade da sua criatura, com isso se pretende que a virtude ou a felicidade da criatura, considerada de modo absoluto e simples, é agradável à inclinação da sua natureza. Sua vontade de decreto é a sua inclinação para alguma coisa, não quanto a essa coisa absoluta e simples, mas no tocante à universalidade das coisas. Embora odeie o pecado em si mesmo, Ele pode desejar permiti-lo, para a maior promoção da santidade nessa universalidade, incluindo todas as coisas e em todos os tempos. Assim, embora Ele não tenha inclinação para a miséria de uma criatura, considerada de maneira absoluta, Ele pode querer desejá-la para uma maior promoção da felicidade nessa universalidade. Deus se inclina à excelência, que é harmônica, mas ainda assim pode inclinar-se a suportar o que é desarmonioso em si mesmo visando a promoção de uma harmonia universal, ou para a promoção da harmonia que há na universalidade, fazendo-a brilhar com mais intensidade.

(...) não há qualquer incoerência ou incompatibilidade entre as vontades decretiva e preceptiva de Deus. É muito coerente supor que Deus pode odiar a coisa em si e, ainda assim, querer que ela venha a ocorrer. Deveras, não tenho medo de afirmar que a coisa em si pode ser contrária à vontade de Deus e, ainda assim, ser agradável à sua vontade que ela venha a ocorrer, porque a sua vontade num dos casos não tem o mesmo objetivo da sua vontade no outro caso. Supor que Deus tem vontades contrárias em relação ao mesmo objeto é uma cotradição, mas não é contraditório supor que Ele tenha vontades contrárias acerca de diferentes objetos. É evidente que uma possa ser boa e a outra possa ser má. A coisa em si pode ser má e, ainda assim, a sua ocorrência pode ser uma coisa boa. A ocorrência de uma coisa má pode ser uma coisa boa — e frequentemente, com certeza e inegavelmente é assim, e assim se prova.”

Jonathan Edwards, The works of Jonathan Edwards, com biografia por Sereno E. Dwight, revisado e corrigido por Edward Hickman, 2 Vols. (Edimburgo: Banner of Truth, 1979), 2:527, 528.

Fonte: Escolhidos: uma exposição da doutrina da eleição, Sam Storms, p.145-46.

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