sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

I Co 10.13



Por Steve Hays

            Pediram-me para comentar sobre esta afirmação:

“Esta passagem e numerosas passagens como esta devastam a doutrina calvinista do determinismo exaustivo. Passagens como estas são simplesmente incompatíveis com tal doutrina, enquanto a linguagem intencional de tais passagens se encaixam perfeitamente com a causa arminiana do livre arbítrio, e a responsabilidade ligada ao exercício do poder que Deus deu para escolher. A alternativa para uma visão libertária destas passagens tem a infeliz e inevitável consequência  de fazer de Deus um mentiroso que ilude seu povo a crer que eles são capazes de fazer a escolha certa, quando na realidade é impossível para eles escolher. Uma escolha predeterminada não é uma escolha de forma alguma uma vez que é o único curso de ação disponível. O melhor que o calvinista pode oferecer é que Deus dá a ilusão da escolha enquanto controla cada pensamento da pessoa e ação para adaptar ao seu infalível e irrevogável decreto eterno. I Co 10.13

Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.’

As implicações são óbvias e inevitáveis. Aqueles que falham em resistir à tentação têm apenas eles mesmos para culpar, uma vez que Deus providenciou uma forma de escape. [4]

O versículo claramente diz que Deus é fiel e que esta fidelidade é demonstrada pelo fato de Deus não permitir que alguém seja tentado além da habilidade de suportar (isto é, resistir) àquela tentação. [5] Mas como tal promessa se comporta com o determinismo exaustivo? Nós sabemos que todos os crentes caem em tentação às vezes (isto é, em pecado), e falham em fazer uso do meio de escape providenciado para eles por Deus em sua fidelidade. Se o determinismo calvinista for verdadeiro então o ato deles cederem à tentação foi predeterminado desde toda a eternidade e não poderia ter sido evitado. Neste caso, simplesmente não é verdade que a tentação não foi além da habilidade deles suportarem, não era verdade que Deus sinceramente providenciou um meio de escape. Como poderia haver um “meio de escape” para aqueles que foram predeterminados a cair de acordo com um decreto eterno e irrevogável?


            O que é esquisito sobre esta afirmação é o modo pelo qual kangaroodort infere algo do texto que simplesmente não está lá. O texto não diz nada sobre os cristãos sucumbindo à tentação. E o que ele diz move-se em direção oposta.

            A perspectiva dos cristãos sucumbindo à tentação não é algo que kangaroodort obteve deste texto de prova. Então o que seu texto prova? Isto dificilmente pode provar que os cristãos sucumbem à tentação, uma vez que está ausente no texto. Além disso, isto vai contra o texto.

            Talvez kangaroodort salvasse sua afirmação ao afirmar que outros versos da escritura falam sobre a questão do pecado cristão.

            Sem dúvida isso é verdadeiro. Mas não é a mesma coisa que fazer a exegese de I Co 10.13. Você não pode encontrar algo num verso que não está lá — ainda que você possa encontrá-lo em alguns outros versos.

            Você não pode simplesmente encontrar algo que é dito num verso para o que não é dito em outro verso como se ambas as passagens estivessem tratando da mesma questão. Ironicamente, o sublime texto de prova de kangaroodort ilustra o oposto do que ele labuta provar.

            Nós precisamos interpretar I Co 10.13 em seus próprios termos, à luz de seu próprio estilo e do contexto circundante. Quando nós fazemos a obra detalhada, é isto que nós sugerimos:

“Não é claro se este verso deve ser entendido genericamente de cada prova que o cristão pode encarar, ou o julgamento escatológico envolvendo a salvação de alguém? O substantivo ekbasis, “meio de saída [escape]”, certamente poderia significar o último, o julgamento escatológico, mas os cristãos podem também confiar em Deus para a ekbasis de lutas menores em todo o percurso de vida. Neste contexto, Paulo parece estar pensando primeiramente nas tentações envolvendo ídolo ou sedução à idolatria” (J. Fitzmyer, 1 Corinthians (Yale 2008), 389).
“Uma análise do contexto (1 Cor 10:1-12,14-22) indica que a tentação especificamente na mente de Paulo aqui é a idolatria ou apostasia. O Senhor não permitirá que seu povo seja vítima da apostasia”. (T. Schreiner, The Race Set Before Us (IVP 2001), 266).

            Em resumo, este verso não está falando sobre tentação em geral. Em vez disso, ele está falando sobre a tentação especifica de negar a fé de alguém — da qual a idolatria era um paradigma — caso em toda a escritura. E ele diz que, devido à fidelidade de Deus, um cristão nunca poderá ceder àquela tentação particular.

            Longe de ser um texto de prova para o livre arbítrio libertário, este é um texto de prova para a perseverança dos santos.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino



Nenhum comentário:

Postar um comentário