quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE I



Por Steve Hays

            Brian Abasciano tem exposto seu caso básico para o arminianismo:


                Abasciano é um grande estudioso do NT. Eu farei um comentário sobre sua causa, porque ela representa uma defesa sistemática, moderna do arminianismo por um erudito capaz. Eu ignorarei a seção final sobre a “Segurança em Cristo”, uma vez que eu fiz uma tese sobre este tópico.

Deus providenciou o perdão de pecados e salvação de cada pessoa pela morte de Jesus Cristo em favor da humanidade pecaminosa. De fato, pela graça de Deus, Jesus experimentou a morte por todos (Hb 2:9). Como 1 Jo 2:2 diz, “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. Após a sentença de 1Tim 2:4 citada acima de que Deus ” deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”, os versos seguintes continuam: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (I Tm 2.5-6)
De fato, “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 11:10), “Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tim 1:15), “o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo” (1Jo 4:14; cf. Jo 4:42), Deus é “Salvador de todos os homens” (1Tim 4:10), Jesus é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), que “morreu pelos ímpios” (Rm 5:6), e “morreu por todos” (2Co 5:14-15) quando “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2Co 5:19). Jesus até mesmo morreu por aqueles que o rejeitaram e a sua palavra, o negaram e pereceram (Lc 22:17-21; Jo 12:46-48; Rm 14:15; 1Co 8:11; 2Pe 2:1; Hb 10:29). A provisão foi feita por tantos quantos pecaram, que é todas as pessoas (Rm 3:22-25; 5:18).

Mas embora Jesus morreu por todos e tem provido expiação para todos, a intenção da expiação provida foi que sua real aplicação (que concede o perdão dos pecados, status de justiça com Deus, e salvação) seja condicional à fé em Jesus Cristo. Isto é afirmado bem claramente em Jo 3:16-18 citado acima. Por amor, Deus sacrificou seu único Filho pelo mundo de modo que aqueles do mundo que confiam em Jesus e em seu sacrifício expiatório se beneficiarão de tal sacrifício expiatório e serão salvos enquanto aqueles do mundo que rejeitam este sacrifício expiatório em descrença não se beneficiarão dele, mas permanecerão condenados e perecerão (cf. várias outras passagens que deixam claro que fé é a condição sobre a qual e os meios pelo qual o perdão, vida eterna, e salvação são recebidos, por exemplo: Lc 8:12; Jo 1:12; 3:36; 5:24; 6:40,47; 20:31; At 16:31; Rm 1:16; 3-4; 10:9-10; 1Co 1:21; Gl 2:16; 3; Ef 2:8-9; 1Tm 1:16). Uma vez que a expiação foi providenciada para todos, tornando a salvação disponível a todos, a Escritura por vezes retrata a justificação como potencial para todas as pessoas (Rm 3:22-25; 5:18) ainda que nem todos sejam no fim das contas salvos. Apesar de Deus desejar que todos creiam e sejam salvos mediante o sangue de Cristo, muitos perecerão, não por falta de disponibilidade de salvação, mas porque eles rejeitaram a provisão salvífica feita para eles na morte de Cristo e “porquanto não creram no nome do único Filho de Deus” (Jo 3:18). Semelhantemente, as referências escriturais a Deus ou Cristo como Salvador do mundo/de todos (Jo 4:4; 1Tm 4:10; 1Jo 4:14) não significam que todos serão de fato salvos, mas que o Pai e o Filho providenciaram salvação para todos, a qual é efetivada somente para aqueles que creem. Como a própria passagem de 1Tm 4:10 diz, “Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem”.

            Dois problemas:

            I) Seus textos provam demais. Eles não simplesmente falam de provisão universal, mas salvação universal. Eles não dizem que Deus simplesmente torna a salvação “disponível” para todos, ou que todos são “potencialmente” justificados. Em face disto, seus textos de prova arminianos refutam o arminianismo.

            Abasciano deve importar qualificações para seus textos de prova. Minimize-as. Tome, por exemplo, seu apelo a II Co 5.19: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões”.

            Mas se, de fato, Deus não está imputando aos homens as suas transgressões, então este é um texto para o universalismo em vez de ser para o arminianismo.

            Agora, não há nada necessariamente errado em pensar que uma determinada passagem contém uma qualificação implícita. Mas calvinistas podem ajudar a eles mesmos com o mesmo princípio. Assim, arminianos não têm nenhuma vantagem sobre os calvinistas quando vão a estas passagens. Contextualmente, faz mais sentido ver II Co 5.14-15, 19 como se referindo a todos os crentes em vez de todos os humanos — crentes e incrédulos igualmente.

            II) Abasciano diz que a provisão universal é qualificada pela condição de fé. Mas ele falha em explicar como a salvação está disponível àqueles que não estão em situação de crer no evangelho, pois eles vivem e morrem em um tempo ou lugar que não tem acesso ao evangelho.

            É claro, Abasciano pode postular outra qualificação. Ele poderia especular que Deus os salvaria se eles tivessem crido no evangelho, se dado a oportunidade. O problema é que ele não está derivando isto de seus textos de prova. Este é um obstáculo que ele deve sobrepor sobre seus textos, apesar do que eles dizem.

            Então, uma vez mais, seus textos de prova arminianos refutam o arminianismo. 

“Jesus prometeu: ‘E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim’ (Jo 12.32). Assim, o pai e o filho atraíram todas as pessoas a Jesus, capacitando-as a vir a Jesus em fé.”

            O texto não diz que Deus simplesmente “capacita” todas as pessoas a vir a Jesus.

“Quando nossas vontades são libertadas, nós podemos ou aceitar a graça salvadora de Deus ou rejeitá-la para a nossa própria ruína. Em outras palavras, a graça salvadora de Deus é resistível, o que significa que ele dispensa seu chamado, atração e graça convincente (que nos levaria à salvação se respondida em fé) de tal forma que nós podemos rejeitá-la. Nós nos tornamos livres para crer em Jesus e livres para rejeitá-lo. A resistibilidade da graça salvadora de Deus é claramente mostrada na escritura, como algumas das passagens já mencionadas testificam. Na verdade, a Bíblia é tristemente repleta de exemplos de pessoas desprezando a graça de Deus oferecida a elas. Em Isaías 5.1-7, Deus indica que ele não poderia ter feito nada mais para fazer Israel produzir bons frutos.”
 
            I) É claro, está é uma parábola antropomórfica na qual Deus é retratado como um agricultor desapontado. Ele esperava que o solo produzisse uma boa colheita, mas suas esperanças foram frustradas.

            Se nós tomarmos a representação como ela aparenta ser sem a estudarmos mais atentamente, este seria um texto de prova, não para o arminianismo clássico, mas para o teísmo aberto.

            II) Além disso, isto tem de ser contrabalanceado com o que Isaías diz sobre o endurecimento divino no capítulo posterior (6.9-13).

            III) Há uma falha da parte dos arminianos de apreciar a diferença entre dois tipos de discurso. Um discurso é primariamente informativo, enquanto outro discurso é primariamente performativo. Muito do discurso profético tem a intenção não tanto de fornecer informação, mas de provocar uma reação, de uma forma ou de outra.

            Além disso, ao endereçar a um público em massa, isto pode ter a intenção de provocar mais do que uma reação. Isto pode ter um efeito polarizador, separando o joio. O fiel atenta para a advertência enquanto o infiel despreza a advertência.

“Mas se a graça irresistível é algo que Deus dispensa, então ele poderia ter facilmente providenciado isto e infalivelmente conduzido Israel a dar bons frutos. Muitas passagens no Antigo Testamento falam sobre como Deus entendeu sua graça a Israel repetidas vezes, mas eles repetidamente resistiram e o rejeitaram (II Rs 17.7-23; Jr 25.3-11; 26.1-9; 35.1-19). II Crônicas 36.15-16 menciona que o socorro oferecido por Deus ao seu povo, o qual foi rejeitado, foi motivado pela compaixão por eles. Mas só poderia ser assim se a graça que ele estendeu a eles os capacitasse a se arrepender e evitar o juízo de Deus fosse resistível uma vez que eles na verdade resistiram a ela e sofreram o juízo de Deus. Isto mostra Deus permitindo seu propósito de não vir a acontecer porque ele permite aos seres humanos uma escolha de se entregar á sua graça ou não.”

            I) De acordo com o calvinismo, ninguém pode resistir à predestinação. Mas eles podem resistir ao evangelho. Eles podem resistir às advertências verbais. Na verdade, a própria resistência deles é predestinada.

            II) Uma vez mais, Abasciano falha em apreciar o fato de que o discurso profético pode ter mais de um objetivo ou público. Isto pode ser para o benefício do remanescente, e o detrimento dos réprobos.

      III) Como Deus permite que seu propósito não venha a acontecer? Será que ele propositadamente não permitiu que seu propósito acontecesse? Deus primeio forma um propósito para realizar algo, então forma um propósito contrário para desaprovar seu primeiro propósito?

“Estêvão também forneceu um bom exemplo da resistibilidade da graça quando ele disse aos seus seguidores judeus: ‘Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas, vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes.”’ (Atos 7.51-53).
            Em qual sentido eles resistiram à graça de Deus? O apelo de Estêvão tem um referente terciário. Para começar, ele está aludindo a Is 63.10-11. Mas que, por sua vez, está aludindo a algum evento na história pentateuca. Há duas opções: a Shekinah no tabernáculo ou o investimento profético de Moisés. Se a primeira, isto se refere a resistir à evidência visível da presença santa de Deus. Se a última, isto se refere a resistir aos profetas de Deus. Atos 7.52 sugere um referente profético.

            Mas a interpretação é perfeitamente consistente com o calvinismo. Os réprobos podem resistir à evidência externa miraculosa. Eles também podem resistir à palavra profética.

            Quando o calvinismo fala sobre “graça irresistível”, ele está se referindo à regeneração monergística. Graça interior. Não a sinais ou palavras. Então o apelo de Abasciano é confuso.

“Lucas 7.30 nos diz que ‘Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus quando a si mesmos.”
            I) No versículo anterior, “rejeitar o conselho de Deus” é equivalente a rejeitar o batismo de João. O ministério de João Batista era uma parte do plano redentor de Deus. Os fariseus e doutores da lei indiretamente rejeitaram o propósito de Deus ao rejeitar diretamente o ministério de João Batista. Eles se recusaram a reconhecer a sua necessidade de se arrepender.

            Mas, uma vez mais, isto é completamente consistente com o calvinismo. Os réprobos podem resistir às palavras proféticas. Isto não é apenas algo que eles são capazes de fazer, mas algo que eles foram compelidos a fazer. Eles foram predestinados a rejeitar aos profetas de Deus. Entao o apelo de Abasciano continua confuso.

            II) Além disso, se Deus planejou salvá-los, mas eles frustraram seu plano, então Deus estava enganado. Se eu planejo fazer algo, mas meu plano fura, então eu estava enganado em imaginar que eu poderia fazer isto. Eu não planejei falhar.

“E Jesus, que falou para as pessoas com o propósito de salvá-las (Jo 5.34), contudo descobriu que eles se recusaram a vir a ele para terem vida (Jo 5.40).”
            Jesus está se dirigindo a um público geral. Suas palavras têm um efeito separador. Ele pretende salvar alguns, mas expor e inculpar outros (Jo 3.19-21; 9.39; 15.22).

 
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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