terça-feira, 13 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE II



Por Steve Hays
         
“e que veio para desviar cada judeu de seu pecado (Atos 3.26; no entanto, claramente descoberto que nem todo judeu creu nele).”

                I) Se Jesus veio com a intenção de desviar cada judeu do seu pecado, então sua missão é uma falha.

            II) A sintaxe é ambígua. Fitzmyer a traduz: “abençoando-vos quando cada um de vocês se desvia de suas más condutas ”. O ponto não é que cada um se arrepende, mas que cada um que se arrepende é abençoado.

“Lamentou sobre a falta de vontade do povo de receber sua graça, dizendo: ‘Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! (Lc 13.34; veja mais Ez 24.13; Mt 23.37; Rm 2.4-5; Zc 7.11-14; Hb 10.29; 12.15; Jd 4; II Co 6.1-2; Sl 78.40-42).

                Isto falha em distinguir entre o discurso ilocucionário e perlocucionário. O discurso profético é frequentemente perlocucionário. Elaborado, não para informar (embora isto seja parte do que os profetas fazem), mas para desencadear uma resposta — o que pode ser uma resposta variada.

“Arminianos diferem entre eles mesmos sobre alguns detalhes de como a graça preveniente de Deus opera, provavelmente porque a própria escritura não dá uma descrição detalhada. Alguns arminianos creem que Deus continuamente capacita a todas as pessoas a crerem em todos os tempos como um benefício da expiação. Outros creem que Deus apenas concede a habilidade de crer em Cristo às pessoas em tempos selecionados de acordo com seu beneplácito e sabedoria. Ainda outros creem que a graça preveniente geralmente acompanha alguns dos movimentos específicos de Deus em direção às pessoas, tornando-as capazes de responder positivamente a tais movimentos”

            Em outras palavras, os detalhes da teologia arminiana carecem de suporte bíblico.

     “O conceito de ‘vontade libertada’ levanta uma questão mais ampla de se os seres humanos têm livre arbítrio geralmente, tirando o domínio de agradar a Deus e fazer o bem espiritual (novamente, as pessoas não são livres nesta área a menos que Deus as capacite). A resposta arminiana é sim. As pessoas têm livre arbítrio em todos os tipos de coisas. Com isto nós queremos dizer que quando as pessoas são livres com respeito a uma ação, então elas podem pelo menos ou fazer a ação ou se re refrear de fazê-la. As pessoas frequentemente têm escolhas genuínas e são, portanto, correspondentemente capazes de fazer escolhas. Quando livre, a escolha específica que alguém faz não tem sido eficientemente predeterminada ou compelida por alguém ou qualquer outra coisa que não seja a própria pessoa. Na verdade, se a ação da pessoa tornou-se necessária por alguém mais, e a pessoa não pode evitar fazer a ação, então ele não tem escolha e ele não é livre nisto. E se ele não tem uma escolha, nem pode isto ser adequadamente dito que ele escolhe. Mas a escritura indica claramente que as pessoas têm escolhas e fazem escolhas sobre muitas coisas (Dt 23.16; 30.19; Js 24.15; II Sm 24.12; I Rs 18.23, 25; I Cr 21.10; At 15.22, 25; Fl 1.22).”

            Abasciano está atuando com uma definição de escolha baseada no seu próprio julgamento (intuição) em vez de uma definição filosoficamente precisa. Compare seu uso descuidado com como alguns filósofos libertários definem ou delineiam as questões:

“Uma escolha é a formação de uma intenção ou propósito para fazer algo. Isto resolve incerteza e indecisão na mente sobre o que fazer. Robert Kane, Four Views on Freewill (Blackwell 2007), 33.

Antes de entrar nos argumentos a favor do determinismo, é necessário remover alguns equívocos sobre a posição determinista. Para começar, deve ser enfatizado mais fortemente que deterministas não negam que as pessoas fazem escolhas. A experiência de escolha — de considerar alternativas, ponderar o caráter delas e finalmente decidir o que escolher — não é algo diferente se um é libertário ou um determinista. Por enquanto deterministas creem que há condições suficientes que irão governar suas escolhas, eles não sabem no momento quando eles estão tomando uma decisão o que aqueles determinantes são ou como eles deduzirão como um resultado deles. Assim, como todos os outros, eles ainda têm que decidir o que escolher! William Hasker, Metaphysics (IVP 1983), 37. 

Então o que significa ter livre arbítrio? Alguns pensadores têm dito que é a habilidade nas situações causalmente idênticas de escolher ou A ou não A. Me parece, porém, que este assim chamado Princípio das Possibilidades Alternativas não é uma condição necessária de querer livremente. Eu estou convencido por ilustrações como aquelas dadas por Harry Frankfurt em mostrar que a liberdade não requer a habilidade de escolher senão como alguém faz. Imagine um homem cujo cérebro tem sido secretamente implantado com eletrodos por um cientista louco. O cientista, sendo um ajudador de Obama, decide que ele ativará os eletrodos para fazer o homem votar em Obama se o homem for para a cabine de votação votar em Romney. De um lado, se o homem escolhe votar em Obama, então o cientista não ativará os eletrodos. Suponha então que o homem entra na cabine de votação e pressiona o botão para votar em Obama. Em tal caso parece que o homem livremente vota em Obama. Ainda que não estava dentro de seu poder fazer algo diferente!”


            De volta a Abasciano:

“Além disso, isto explicitamente fala de livre arbítrio humano (Ex 35.29; 36.3; Lv 7.16; 22.18, 21, 23; 23.38; Nm 15.3; 29.39; Dt 12.6, 17; 16.10; II Cr 31.14; 35.8; Ed 1.4, 6; 3.5; 7.16; 8.28; Sl 119:108; Ez 46.12; Am 4.5; 2 Co 8.3; Fm 1.14; cf. 1 Cr 7.37) e atesta para os seres humanos violando a vontade de Deus, mostrando que ele não predetermina a vontade ou ações deles no pecado. Portanto, o fato de que Deus mantém as pessoas responsáveis por suas escolhas e ações implica que aquelas escolhas e ações foram livres.”

            A Bíblia “Explicitamente fala de livre arbítrio humano”?

            I) Seus textos do AT se referem a “ofertas do livre arbítrio”. Para começar, isto é simplesmente uma convenção das traduções tradicionais inglesas. Por exemplo, a Bíblia judaica completa traduz isto como “ofertas voluntárias.” É desnecessário dizer, uma ação determinada ou predeterminada pode ainda ser voluntária. Não é como se o agente humano estivesse agindo contra a sua vontade. Não há sentido de compulsão.

            II) Mais ao ponto, estas são chamadas ofertas de “livre arbítrio” porque elas são opcionais. Isto permanece em contraste com a maioria dos sacrifícios e ofertas do AT, os quais são obrigatórios sob condições específicas. Não está se referindo a uma faculdade da vontade, mas distinguindo o que é obrigatório do que é opcional. Muito dos sacrifícios ou ofertas do AT eram deveres religiosos. Por contraste, o adorador não é obrigado a apresentar uma oferta do “livre arbítrio”.

            III) Além disso, seu argumento prova muito. As ofertas do livre arbítrio eram um pequeno subconjunto dos sacrifícios e ofertas do AT. Elas poderiam ou ser holocaustos ou um dos três tipos de ofertas de paz. Se as ofertas do livre arbítrio implicam a liberdade libertária do adorador naqueles casos, então isto nega a vontade libertária do adorador em todos os outros casos.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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