sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE III

Por Steve Hays

        
            Com respeito aos seus textos do NT.

            II Coríntios 8.3: isto se refere aos meios financeiros deles, não a uma faculdade psicológica ou habilidade. Na verdade, os recursos financeiros deles eram bastante limitados.

            Filemom 14: Abasciano ignora a postura retórica. Paulo está sendo discreto. Pedindo um favor àquele que havia sido ajudado antes. Ele está impondo sobre Filemom sem parecer ser áspero sobre isto. Exercendo autoridade moral. E, legalmente, Filemom está em uma posição de recusar, o que é uma razão que Paulo deve ser diplomático. Ele deve respeitar as prerrogativas sociais de Filemom.

            Se isto prova o livre arbítrio libertário, então isto prova demais, pois isto significaria que o dono do escravo tem uma faculdade psicológica da liberdade libertária, mas um escravo não.        

            I Coríntios 7.37: o ponto de Paulo é que na escolha entre casamento ou celibato, o cristão não está vinculado por obrigações sociais ou expectativas habituais.

“Finalmente, o conceito de livre arbítrio também implica que Deus tem livre arbítrio final e absoluto. Pois é Deus quem sobrenaturalmente liberta a vontade dos pecadores por sua graça para crer em Cristo, que é uma questão do próprio livre arbítrio e soberania de Deus. Deus é onipotente e soberano, tendo o poder e autoridade para fazer qualquer coisa que ele queira e não ser constrangido em suas próprias ações e vontade por qualquer coisa fora dele mesmo e de seu próprio julgamento. (Gn 18.14; Ex 3.14; Jo 41.11; Sl 50.10-12; Is 40.13-14; Jr 32.17, 27; Mt 19.26; Lc 1.37; At 17.24-25; Rm 11.34-36; Ef 3.20; 2 Cr 6:18; Ap 1.8).”

            Só que os teístas do livre arbítrio pensam que as ações e desejos de Deus são constrangidos por algo fora dele mesmo: a saber, a habilidade dos homens de contrariar seus planos e desejos. Então, Abasciano na verdade não pensa que Deus é soberano. Embora ele não queira ceder esse atributo (a soberania divina) aos calvinistas, sua reivindicação a esse atributo é auto-contraditória.

“Há duas visões principais do que a Bíblia ensina a respeito do conceito de eleição para a salvação: que ela é ou condicional ou incondicional. Para a eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus daqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não havia nada sobre eles que contribuiu para a decisão de Deus de escolhê-los, o que parece fazer a escolha de Deus de qualquer indivíduo particular como oposta a outro arbitrário.”

            I) “Arbitrário” no sentido de que o pecador não tem direito a misericórdia de Deus, então Deus pode justamente discriminar. Uma vez que Deus não é obrigado a mostrar misericórdia a quer que seja, ele não é obrigado a mostrar misericórdia a todos. Abasciano imagina que Deus está moralmente obrigado a mostrar misericórdia para todos?

            Isto não só falha em distinguir entre culpa e inocência, justiça e misericórdia, mas isto significaria que Abasciano nega a Deus a liberdade de fazer o contrário. Abasciano é necessitariano sobre o plano de salvação?

            II) Porém, quem Deus elege ou reprova faz uma diferença em como a história se desdobra. Para tomar um exemplo, Se Abraão fosse reprovado em vez de eleito, isto implicaria um cronograma alternativo nos quais os eventos terminam de forma muito diferente.

“Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha de Deus de certos indivíduos de não salvar senão condenar por seus próprios pecados por nenhuma razão que tenha a ver com eles...”

            A declaração de Abasciano é autorrefutável. Se Deus os condena “pelos pecados deles”, então Deus não está condenando “por nenhuma razão que tenha a ver com eles”.

            O pecado é uma condição necessária, mas insuficiente da reprovação. 

“Desejando a salvação de todos, providenciando a expiação para todos e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação ao enviar o evangelho e capacitar aqueles que ouvem o evangelho a responder a ele positivamente em fé, Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho/Jesus Cristo (Jo 3.15-16, 36; 4.14; 5.24, 40; 6.47, 50-58; 20.31; Rm 3.21-30; 4.3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9.30-33; 10.4, 9-13; 1 Co 1.21; 15:.1-2; Gl 2.15-16; 3.2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28; Ef 1.13; 2.8; Fl 3.9; Hb 3.6, 14, 18-19; 4.2-3; 6.12; I Jo 2.23-25; 5.10-13, 20). Esta clara e básica verdade bíblica é equivalente a dizer que a eleição para a salvação é condicional a fé.”

            Não, isto não é “equivalente a dizer que a eleição para a salvação é condicional à fé”. Embora a salvação seja contingente à fé, isto não faz a eleição contingente à fé. Na verdade, isto poderia ser o contrário. A fé é contingente à eleição, e é por isso que Deus concede fé aos eleitos.

“Assim como a salvação é pela fé (Ef 2.8 – ‘pois pela graça sois salvos, por meio da fé’), assim a eleição para a salvação é pela fé, algo explícito em II Ts 2.13 – ‘Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação pela santificação do Espírito e fé na verdade” (NASB; note: ‘Deus vos escolheu... pela... fé na verdade’; sobre a gramática deste verso, veja http://evangelicalarminians.org/2-thessalonians-213-greek-grammar-and-conditional-election/)”

            Longe de estar explícito, comentaristas como Beale, Bruce, Fee, Green, Marshall e Wanamaker (assim como Bill Mounce) tudo que diz respeito à “salvação” em vez de “fé” como o objeto da escolha divina neste verso. Não há nenhuma presunção de que Abasciano tem uma melhor compreensão da sintaxe do grego do que todos estes eruditos do NT.

“O fato de que o Espírito Santo é dado aos crentes sobre a condição de fé em Cristo é também sustentáculo da eleição condicional. Pois na escritura a presença de Deus/Espírito Santo é o doador e indicador da eleição. Como Moisés ora em Êxodo 33.15-16: ‘Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra; ’ ou como Paulo afirma em Rm 8.9-11: ‘Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.’ A dádiva do Espírito transfere eleição, e ter o Espírito torna uma pessoa eleita. Assim, ter o Espírito também marca uma pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição ser também pela fé.
                Dizer que o Espírito é dado sobre a condição de fé é assumir algo que não é evidenciado. E se a fé é dada pelo Espírito?

“De um ponto de vista arminiano não tradicional, isto está de acordo com os fatos de que o Espírito Santo santifica os crentes e a santificação é às vezes identificada como o meio pelo qual a eleição é realizada (II Ts 2.13; I Pe 1.2). Santificar significa ‘tornar santo. Separado para Deus’. A obra santificadora inicial do Espírito é equivalente a eleição — crentes são escolhidos ou separados como pertencentes a Deus e para o serviço e para obediência a ele. O apóstolo Paulo disse para a igreja dos tessalonicenses: ‘Deus vos escolheu desde o principio para a salvação pela santificação do Espírito e fé na verdade (II Ts 2.13;NASB). A eleição é aqui apresentada como acontecendo através  ou pela santificação que o Espírito Santo realiza. Mas como nós temos visto, o Espírito Santo é recebido pela fé, tornando a santificação que ele traz também condicional a fé e lançando luz sobre a menção da ‘fé na verdade’ imediatamente seguinte em II Ts 2.13.”
            Ele é muito dependente deste versículo em particular, e de sua tradução particular para defender seu argumento. Mas a maioria dos eruditos discorda.

“De forma similar, I Pe 1.1-2 fala dos ‘eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...’ A eleição acontece em ou através da santificação efetuada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Espírito Santo a separa como pertencente a Deus, para a obediência a Jesus Cristo e para a aspersão com seu sangue (isto é, o perdão de pecados), um ato consequente à doação do Espírito, o qual novamente é ele mesmo consequente à fé em Cristo.”
                Não, a eleição acontece através da escolha anterior de Deus. Eles não foram apenas escolhidos, mas escolhidos por Deus, e eles foram escolhidos de antemão (até mesmo Abasciano admite que isto é o que proginosko significa).

“O estado final da graça daqueles mencionados acima para nós considerarmos é a união com Cristo, o que é o mais fundamental de todos eles, servindo como a base de cada. Como Ef 1.3 afirma a respeito da igreja, Deus ‘nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais.’ A frase ‘em Cristo’ indica união com Cristo, um estado iniciado pela fé, como mencionado acima.”
            Ele está construindo sobre uma falsa premissa (veja abaixo).

“Mais diretamente, Ef 1.4 então explicitamente indica a condição de fé especificamente com a frase ‘nele’ [Cristo]: ‘ele [Deus] nos escolheu nele antes da fundação do mundo.’ Assim como Deus nos abençoar em Cristo com toda sorte de benção espiritual indica que Deus nos abençoou porque nós estamos em Cristo (Ef 1.3), então Deus nos escolher em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1.4). Efésios 1.4, portanto, articula a eleição condicional, uma eleição que é condicional à união com Cristo. Mas o fato de que a união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.”
            Não, isto não indica que Deus nos escolheu “por causa de nossa união com Cristo.” Antes, isto ou significa que Deus nos escolheu em Cristo como nosso cabeça federal, ou que Deus nos escolheu para sermos salvos através da obra de Cristo.




Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

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