quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE IV



Por Steve Hays
           
“A próxima frase em Ef 1.4 — ‘antes da fundação do mundo’ — nos traz uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição condicional. A visão tradicional concebe a eleição condicional como individual, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele previu que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria naquela união pela fé. O ponto de vista parece encontrar apoio notável em duas passagens proeminentes que se referem à eleição. Rm 8.29 diz: ‘pois aos que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que pudesse ser o primogênito entre muitos irmãos.’ A presciência de Deus dos seres humanos é total e incluiria o conhecimento anterior de cada pessoa e se eles creriam ou não. E em Rm 8.29, a presciência divina é apresentada como a condição para a predestinação. Dado tudo o que nós dissemos até agora, muitos considerariam o pré-conhecimento de Deus da fé dos crentes como sendo o elemento mais natural da sua presciência deles a ser determinante para sua decisão de salvá-los e predestiná-los a serem conformados à imagem de Cristo. A outra passagem proeminente que fornece suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina da fé humana é I Pe 1.1-2, a qual fala do status do eleito como sendo ‘de acordo com a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e aspersão com seu sangue’... Aqui a condição do eleito é explicitamente baseada na presciência de Deus. E novamente, o tipo de evidência que nós temos analisado leva muitos a crer que é explicitamente a presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela para o qual a eleição se conforma. Uma vez que este texto não especifica a presciência em vista a ser de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas da eleição tomaria a presciência divina em I Pe 1.1-2 como sendo o próprio plano de Deus de salvação, significando que a eleição é baseada no plano de Deus de salvar aqueles que creem.”
            Ainda que nós concedamos para o bem do argumento que proginosko significa presciência, não há nada nestes versículos sobre a prevista. O que é previsto?

“O ponto de vista arminiano não-clássico da eleição é conhecido como eleição corporativa. Ele observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento era uma consequência da escolha de um indivíduo que representava o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo era eleito no cabeça corporativo, isto é, como uma consequência de sua associação com este representante corporativo (Gn 15.18; 17.7-10, 19; 21.12; 24.7; 25.23; 26.3-5; 28.13-15; Dt 4.37; 7.6-8; 10.15; Ml 1.2-3).
            É claro, isto é consistente com a teologia do pacto no calvinismo.

“Alguns tem equivocadamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 à eleição arbitrária dos primeiros cabeças do pacto como sendo indicação de que a eleição do povo de Deus para a salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça do pacto é única, envolvendo a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para se tornar parte do povo eleito da mesma maneira como o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com sua grande ênfase em Romanos sobre a salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus de fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou descendência.”
            Aqui ele parece classificar idiossincraticamente Isaque e Jacó como “cabeças corporativos”. Mas Deus não fez seu pacto com Isaque e Jacó. Deus fez seu pacto com Abraão. Abraão foi o cabeça federal ou mediador do pacto. Isaque e Jacó beneficiários. Eles são parte do pacto pela virtude de Abraão. Então eles são indivíduos.

            Lembre-se, eu penso que Paulo está usando eles como representantes para ilustrar um princípio: a eleição individual.

“A metáfora da oliveira em Rm 11.17-24 dá um excelente retrato da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo escolhido de Deus. Mas indivíduos são enxertados dentro do povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou cortados do povo escolhido de Deus e suas bênçãos por causa da incredulidade. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando na eleição por meio da participação deles (através da fé) no grupo eleito, que abrange a história da salvação.”
                I) O calvinismo não é oposto à eleição corporativa. Antes, ele é oposto a colocar a eleição corporativa contra a eleição individual.

            II) Tenha em mente que Rm 11.17-24 não usa linguagem eletiva.

            III) Tenha em mente também que nós precisamos distinguir entre palavras eletivas e o conceito de eleição. A mesma palavra pode ser usada para denotar mais que um conceito. Embora os judeus fossem o “povo escolhido”, isto não significa que Deus escolheu salvar cada judeu. A escolha de Deus de Israel não é “eleição” como isto é definido na teologia reformada.
            IV) Na história de Israel, você tem um contraste entre um remanescente fiel e muitos judeus nominais.

            V) Há a questão do que a oliveira representa na metáfora de Paulo. Quem Paulo está advertindo? Por exemplo, Paulo está escrevendo para a igreja de Roma. Uma igreja local pode ser (geralmente é) uma multidão mista de crentes verdadeiros e crentes nominais. Ao longo do tempo, os crentes nominais podem ultrapassar em número os crentes verdadeiros. Ao longo do tempo, uma igreja local pode perder sua identidade cristã. Na história da igreja, você também tem denominações apóstatas. Algumas começaram bem, mas terminaram mal.

            Mas isto é consistente com a perseverança dos santos. Deus preserva eleitos individuais — não necessariamente instituições.

“Embora concordando que Deus conhece o futuro, incluindo quem crerá,”
            Contudo Abasciano diz que os homens têm a liberdade de fazer o contrário. Mas naquele evento, as escolhas humanas são inerentemente imprevisíveis. Como Deus pode prever um evento intrinsecamente imprevisível? Se o resultado pudesse acontecer de qualquer forma, então ele é imprevisível. Se é imprevisível, então ele não pode ser previsto.

“A perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências à presciência em Rm 8.29 e I Pe 1.1-2 como se referindo a um conhecimento relacional prévio  que equivale a reconhecer previamente, abraçar ou escolher pessoas como pertencentes a Deus (isto é, no relacionamento pactual). Às vezes a Bíblia menciona este tipo de conhecimento, tais como quando Jesus fala daqueles que nunca se submeteriam verdadeiramente ao seu senhorio: ‘E então eu lhes direi: ‘eu nunca vos conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade’ (Mt 7.23; cf. Gn 18.19; Jr 1.5; Os 13.4-5; Am 3.2; I Co 8.3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significaria ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. ‘Aqueles [plural] que ele dantes conheceu’ em Rm 8.29 se referiria à igreja como um corpo corporativo e a eleição deles em Cristo assim como a identidade deles como a continuação legítima do povo do pacto escolhido de Deus, que os indivíduos crentes compartilham pela união com Cristo pela fé e membresia em seu corpo. Tal referência é semelhante às declarações na escritura faladas a Israel sobre Deus os escolher no passado (Dt 4.37; 7.6-7; 10.15; 14.2; Is 41.8-9; 44.1-2 ; Am 3.2). Em cada geração, Israel poderia ser dita ter sido escolhida. A igreja agora compartilha esta eleição através de Cristo, o cabeça federal e mediador. (Rm 11.17-24; Ef 2.11-22).
            Aqui ele está tacitamente admitindo que o entendimento calvinista tradicional de proginosko está correto. Ele não significa presciência; antes, ele significa escolha prévia.

            Abasciano criou um dilema para si mesmo. De um lado, ele quer desaprovar a eleição individual ao substituir pela eleição corporativa. Por outro lado, ele pode simplesmente fazer isto perdendo outra manobra arminiana tradicional. Arminianos tipicamente evadem a força predestinariana de passagens como Rm 8.29 ao afirmar que proginosko significa presciência, enquanto que calvinistas dizem que isto significa escolha prévia. Abasciano está agora afirmando a interpretação calvinista de proginosko. Ainda que (por hipótese) ele esteja certo sobre a eleição corporativa, ele ganha um ponto ao perder outro ponto. Um passo à frente, um passo atrás.

“De forma similar, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo refere-se ao compartilhamento na eleição de Cristo que aconteceu antes da fundação do mundo (I Pe 1.20).

            A escritura não ensina a eleição de Cristo.

“Porque Cristo encarna e representa seu povo, pode-se dizer que seu povo foi escolhido quando ele era apenas como poderia ser dito que a nação de Israel era no ventre de Rebeca antes de sua existência porque Jacó era (Gn 25.23) e que Deus amou/escolheu Israel ao amar/escolher Jacó antes que a nação de Israel existisse (Ml 1.2-3) e que Levi pagou dízimos a Melquisedeque em Abraão antes que Levi existisse (Hb 7.9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes que a igreja existisse (Ef 2.5-6; cf. Cl 2.11-14;; Rm 6.1-14) e que nós (a igreja) estamos assentados as regiões celestiais em Cristo quando nós não estamos literalmente ainda no céu mas Cristo está. A eleição de Cristo implica a eleição daqueles que são unidos a ele, e então a nossa eleição pode ser dita como tendo sido acontecida quando a dele aconteceu, mesmo antes que nós estivéssemos unidos a ele. Isto é um pouco similar a como eu, como um americano, posso dizer que  nós (América) vencemos a Guerra Revolucionária antes que eu ou qualquer americano vivo hoje já fosse nascido.”

                Como os cristãos podem ser escolhidos “quando” Cristo foi? Ainda que você aceite a afirmação dúbia de que o próprio Cristo é escolhido, ele foi escolhido antes da fundação do mundo. Contudo, Abasciano pensa que a eleição é contingente à fé (indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos contanto que eles creiam). Portanto, a eleição dos homens deve ser subsequente à fé deles. Além disso, uma vez que os crentes vivem em diferentes épocas, como eles podem ser escolhidos quando Cristo é escolhido? A posição de Abasciano é incoerente com seus próprios termos.

“A visão corporativa explica porque apenas aqueles que são de fato povo de Deus são chamados de eleitos ou apelos parecidos na escritura e não aqueles que não pertencem a Deus, mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente os crentes são identificados como eleitos. Quando Romanos 8.9 diz: ‘Se alguém não tem o Espírito de Cristo, ele não pertence a ele.’ De forma similar, Rm 11.7-24 apoia o entendimento corporativo dos eleitos como se referindo apenas àqueles que estão de fato em Cristo pela fé em vez de também incluir certos incrédulos que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Pois em Rm 11.7, ‘o restante’ não é eleito. Mas Paulo acreditava que aqueles ‘outros’ poderiam ainda crer, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite a saída e entrada dentre os eleitos como retratado na metáfora da oliveira.”

            Não é a eleição que é dinâmica, mas o endurecimento. E isto é obra de Deus.

“Uma vez que a eleição individual deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos se tornam eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Daí, II Pe 1.10 insta os crentes a ‘procurar mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição’ e o Novo Testamento é repleto de advertências a perseverar na fé para evitar perder a eleição/salvação.”

            Isto presume que a linguagem “escolhidos” na escritura é sempre um termo técnico para a eleição. Mas a eleição é uma categoria teológica especializada. E você não pode simplesmente citar o uso de um autor para definir o uso de outro autor. Por exemplo, a escolha de Deus de Israel não significa que cada judeu individual está assim seguro.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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