sábado, 7 de março de 2015

MOLINISMO E LIVRE ARBÍTRIO LIBERTÁRIO

Por James N. Anderson

            Eu recebi a seguinte pergunta de um leitor:

“Olá”! Eu tenho seguido seus posts sobre molinismo, comentários e interações com JW Wartick em seu site. Eu peguei sua pergunta e perguntei ao meu amigo molinista e ele me deu uma resposta que parece bastante simples. A conversa segue-se da seguinte forma:

‘Eu quero ouvir seus pensamentos quanto à por que um molinista não poderia simplesmente responder à sua pergunta com o seguinte:

Calvinista: Dado que Deus decretou que S escolherá A em W1 é possível para S não escolher A em W1?

Molinista: Não, porque então teria sido um mundo diferente. S não pode escolher ~A em W1. Por isso o decreto de Deus não poderia estar errado.

Calvinista: Como isto não invalida o livre arbítrio libertário?

Molinista: Isto não invalida o livre arbítrio libertário porque S escolhe ~A em W2. A visão libertária do livre arbítrio não crê que você é livre se você pode escolher A ou ~A no mesmo mundo. Antes, nós cremos que deveria ser simplesmente possível escolher A ou ~A. Mas é claro que ambos estarão em dois mundos separados.

Livre arbítrio libertário não simplesmente significa que ele precisa ser possível para a ação ser diferente, mas esta possibilidade geraria um mundo diferente além de W1?

            Eu penso que esta resposta evidencia uma confusão sobre o que o livre arbítrio libertário envolve. Livre arbítrio libertário envolve mais que uma mera possibilidade de escolher (livremente) o contrário. Se S escolhe livremente A em W1, não é suficiente para o livre arbítrio libertário haver algum outro mundo W2 no qual S livremente escolhe ~A. Afinal, um compatibilista pode fazer exatamente a mesma afirmação! Eu creio que há mundos possíveis nos quais eu faço escolhas livres além das escolhas que eu faço no mundo real, mas isto não me faz um libertário sobre o livre arbítrio.

            Antes, o livre arbítrio libertário envolve a ideia de que é possível para S escolher livremente A ou não ~A exatamente nas mesmas circunstâncias. Colocando de forma mais precisa: se S escolhe A no tempo t em W1, então para S ter livre arbítrio libertário em W1 deve haver um mundo possível W2 no qual S escolhe ~A em t onde a história de W2 em t é idêntica à história de W1 em t. (Por uma questão de simplicidade eu estou deixando de lado a distinção, feita por alguns libertários, entre escolhas derivadamente livres e escolhas não derivadamente livres, uma vez que a distinção não é relevante para o ponto que está sendo feito aqui).

            Então a questão que eu coloco para o molinista é simplesmente esta: o decreto de Deus deveria estar incluído na história de W1?

            Se ele deveria estar incluído, então (assumindo a infalibilidade divina) não há mundo possível W2 (com uma história idêntica) no qual S escolhe ~A em t. Mas se ele não deveria estar incluído, eu gostaria que o molinista desse uma razão baseada em princípios e não falaciosa por que o decreto não deveria estar incluído. Pois isto me parece uma defesa especial para excluir, de todas as coisas, o decreto eterno de Deus — que é uma preordenação divina ativa, não um pré-conhecimento divino passivo — da história do mundo anterior às nossas escolhas (ou das circunstâncias nas quais nós fazemos nossas escolhas livres).

            Eu percebo que há muito mais a ser dito sobre esta questão. (Havia alguma discussão da questão nos comentários sobre o meu post original). Mas esta é minha resposta básica ao molinista citado acima. Sua réplica não dá uma resposta adequada porque ela não compreende o problema em primeiro lugar.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino



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