domingo, 22 de março de 2015

O DILEMA DO TEÍSMO ABERTO

Por Steve Hays

            O teísmo aberto sofre de um dilema maior. De um lado, ao entrar no problema do mal, teístas abertos apelam para a ignorância divina como um fator atenuante ou justificativo. Por exemplo:

“De acordo com o teísmo aberto, Deus soberanamente decidiu criar um mundo com criaturas libertariamente livres, uma vez que não há (não haveria) contrafactuais de criaturas livres para Deus conhecer e desde que, de acordo com os teístas abertos, a liberdade libertária é incompatível com o pré-conhecimento meticuloso, Deus não poderia saber com certeza antes do tempo que tipos de escolhas suas criaturas livres farão. Deus pareceria ser menos culpável por não impedir os males que ele não sabia antecipadamente que aconteceriam.”


            Por outro lado, teístas abertos afirmam que Deus pode antever o futuro com um alto grau de probabilidade. Por exemplo:

“Nós afirmaríamos o conhecimento compreensivo e exato de Deus das possibilidades do futuro — e, como já foi dito, da probabilidade gradualmente mudada de cada uma dessas possibilidades serem realizadas. E como a probabilidade de uma escolha ser feita de certa forma aumenta gradualmente com respeito à certeza, Deus sabe isto também, frequentemente, sem dúvida, antes que o próprio agente finito esteja ciente disto.” [W. Hasker, God, Time, and Knowledge (Cornell, 1998),  189.].
“Muitas profecias, na verdade, têm um caráter condicional, tais como: ‘Se uma nação não fizer tal e qual, então ela será destruída” (Veja Jeremias 18.7-10, por exemplo). Segundo, muitas predições proféticas são baseadas nas tendências existentes, que fornecem a Deus evidência suficiente para prever o futuro. (Hasker 1989, 195). (Hasker coloca a predição de Jesus a respeito de Pedro nesta categoria, a propósito). Finalmente, algumas profecias simplesmente revelam o que Deus já decidiu realizar no futuro (Hasker 1989, 195). Uma vez que as próprias ações de Deus no futuro são sua responsabilidade, é possível para Deus conhecê-las embora elas sejam contingentes, então é possível para as profecias revelá-las.”


            Na verdade, é um componente essencial da devoção religiosa dizer que Deus pode ser confiado para manter suas promessas.

            Na medida em que os proponentes acentuam a ignorância divina como um elemento distintivo e vantagem de uma teodiceia teísta aberta, eles reduzem a afirmação de que Deus pode precisamente antecipar o futuro e assim ser confiado a manter suas promessas.

            No sentido inverso, na medida em que os proponentes acentuam o alto conhecimento probabilístico de Deus do futuro, eles reduzem o apelo à ignorância divina para exonerar Deus em relação ao mal.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino





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