sexta-feira, 17 de abril de 2015

RESPONSABILIDADE VICÁRIA



Por Steve Hays

            I) Uma das objeções ao calvinismo é a do pecado original  — especialmente a imputação do pecado de Adão. Como é justo para nós sermos responsabilizados pelas ações de outro? Nós não tivemos parte em suas ações. Nós não consentimos em suas ações.

            Estritamente falando, isto não é um problema para o calvinismo. Assumindo, para o bem do argumento, que isto é problemático, este é um problema para a escritura. É apenas um problema para o Calvinismo na medida em que o Calvinismo é uma das poucas tradições teológicas que permanecem vivas que ainda toma seriamente o que a escritura diz sobre o pecado original. Então isto é menos sobre Calvinismo do que inspiração e autoridade da escritura.

            II) Dito isto, vamos considerar a objeção em seus próprios termos. Para facilitar a consulta, vamos chamar isto de princípio da responsabilidade vicária.

            Certamente há muitas situações, ou tipos de situações, onde a responsabilidade vicária seria injusta. Na verdade, a própria Bíblia considera a responsabilidade vicária como injusta em algumas situações (Ex. Dt 24.16).

            III) Mas este é um princípio universal? Vamos considerar um caso hipotético. Uma esposa tem um filho com outro homem no curso de um caso ilícito. Não há, porém, nenhuma razão imediata para seu marido suspeitar que a criança não é dele.

            10 anos depois, o menino adoece e submete-se a alguns testes que incidentalmente revelam o fato de que o garoto não é o filho biológico do marido.

            A esposa, percebendo que seu marido nunca a verá da mesma forma, deixa seu marido pelo homem que verdadeiramente ama. E ela deixa seu filho sob os cuidados e custódia de seu ex-marido. Ela nunca quis o filho.

            Embora isto seja hipotético, há exemplos da vida real que correspondem a este tipo de situação.

            Quais são a responsabilidades do marido nesta situação? Uma opção é deixar o garoto com a mãe e o pai biológicos deste. Conduzir o garoto para onde quer que eles estejam vivendo, e entregá-lo para eles.

            Com certeza, porém, é tarde demais para isto. Por 10 anos, o marido foi o único pai que o garoto conheceu. Seu pai biológico não o conhece ou se importa com ele. E sua mãe não se importa com ele.

            Então o garoto precisa do marido para continuar a ser o pai para ele. Seria prejudicial ao seu desenvolvimento psicológico cortá-lo daquele relacionamento e confiá-lo às mãos dos dois adultos indiferentes.

            Eis aqui um caso onde o indivíduo torna-se responsável pelas consequências do delito de outra pessoa. E isto é apesar do fato de que o indivíduo foi injustiçado.

            Nós poderíamos citar exemplos parecidos. Tome uma criança abandonada. Uma mãe desesperada coloca seu recém-nascido na porta de uma família próspera, esperando que eles cuidem da criança. Não deveria ser responsabilidade deles. Mas agora que isto foi confiado a eles, é dever deles enfrentar o desafio.

            Como tal, eu não acho que a responsabilidade vicária seja injusta em princípio. É fácil o suficiente apresentar contraexemplos nos quais isto parece ser uma obrigação moral.

            É claro, estes exemplos apelam à intuição. Algumas pessoas poderiam rejeitar a intuição. Porém, isto afeta ambos os lados igualmente. Pois a objeção ao pecado original é intuitiva também.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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