sexta-feira, 1 de maio de 2015

OUTRA PASSAGEM QUE NÃO PARECE FAZER SENTIDO A MENOS QUE O COMPATIBILISMO SEJA VERDADEIRO



Por Steve Hays

            Gênesis 24 registra uma história interessante, uma que à primeira vista não parece dizer muito sobre livre arbítrio libertário ou compatibilismo. Mas em um exame mais próximo, nós podemos ver que os eventos que desfraldam não fazem sentido a menos que o compatibilismo seja verdadeiro.

            O capítulo começa com Abraão sendo avançado em dias e desejando que seu filho Isaque tenha uma esposa. Abraão tem seu servo para prestar juramento de voltar à terra de Abraão para buscar uma esposa para Isaque. Quando ele envia o servo, Abrão lhe diz: “Caso a mulher não queira seguir-te, ficarás desobrigado do teu juramento; entretanto, não levarás para lá meu filho.” (Gn 24.8). Então nós vemos que Abraão está preocupado com a liberdade da esposa que o servo está para escolher; ela deve estar disposta a retornar, do contrário o servo está isento de seu juramento de encontrar uma esposa para Isaque.

            Quando o servo chega, ele ora:

E disse consigo: Ó SENHOR, Deus de meu senhor Abraão, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor” (Gn 24.12-14)

            Este é um sinal muito específico o qual o servo pede. É interessante que enquanto a mera hospitalidade poderia ter alguém que desse de beber a um estrangeiro, está acima e além da norma para alguém também dar água para os animais. Portanto, o que o servo pede não é provável ser o resultado do comportamento arbitrário. E por causa disso, ele tem confiança de que se ele encontrar tal mulher então ele encontrou a escolha de Deus para a esposa de Isaque.

            E nós lemos:

Considerava ele ainda, quando saiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo um cântaro ao ombro. A moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu. Então, o servo saiu-lhe ao encontro e disse: Dá-me de beber um pouco da água do teu cântaro. Ela respondeu: Bebe, meu senhor. E, prontamente, baixando o cântaro para a mão, lhe deu de beber. Acabando ela de dar a beber, disse: Tirarei água também para os teus camelos, até que todos bebam.” (Gn 24.15-19)

            Então mesmo antes do servo terminar de falar seu pedido inusitado por um sinal, Rebeca aparece... e então prosseguiu em cumprir o próprio sinal que o servo tinha pedido. E quando nós continuamos, nós descobrimos que Rebeca tornou-se a esposa de Isaque, e ela se tornaria depois a mãe de Jacó e Esaú.

            Mas considere novamente a sequência dos eventos. O fato de que Rebeca cumpriu um sinal não é somente maravilhoso porque o pedido foi algo que era tão incomum que ele garantiria para o servo que Deus o estava guiando naquela escolha. Isto significa que é um conjunto extremamente improvável de circunstâncias.

            Então como este conjunto de circunstâncias aconteceria se nós admitirmos o Livre Arbítrio Libertário? Nenhum ser sobrenatural disse para o servo o que orar — o texto indica que a petição veio do servo. Do mesmo modo, o comportamento de Rebeca parece ter sido dela mesma. Isto é, em nenhum lugar ela diz: “um anjo me disse para fazer isso” e em nenhum lugar ela diz que foi compelida por forças externas a dar água para os camelos do servo. O fato de que o servo teve que correr até ela indica que ela não estava perto o suficiente para ter ouvido a sua petição.

            Então como é que o servo simplesmente aconteceu de pedir, sem influências externas que anulariam seu Livre Arbítrio Libertário, pela coisa exata que Rebeca aconteceria de estar fazendo, sem influências externas sobre seu Livre Arbítrio Libertário? Isto não faz nenhum sentido.

            O que faz sentido é que Deus estava no controle de tudo aquilo que aconteceria, incluindo a chegada do servo com o pedido e Rebeca fazendo a ação. E porque não há aspecto de compulsão sendo falado, e porque é impossível  para este evento ter acontecido com base no Livre Arbítrio Libertário, a única explicação possível é que este evento pressupõe compatibilismo.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino



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