domingo, 24 de maio de 2015

TEXTOS DE PROVA ARMINIANOS (PARTE VI)



Por Steve Hays
           

14) II Pe 2.1

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (2 Pedro 2.1)

“A [imagem] imediata é emprestada do mercado de escravos romano, onde um resgate poderia servir como o preço da libertação, após o qual o libertado pertence àquele que pagou o preço.

I Peter 1.18-19 afirma que os crentes foram ‘regatados’ das vãs maneiras de viver de seus pais ‘com o precioso sangue de Cristo’ (cf. Ef 1.7; II Pe 2.1). Nestas passagens e outras relacionadas, os escritores do NT estão se apoiando em muito do que poderia ter sido a experiência compartilhada no amplo mundo grego-romano. Aqueles que estão familiarizados com a história de Israel, é claro, teriam ouvido repercussões da história do Êxodo no pano de fundo de tais referências (ex. Ex 6.6; cf. Is 51.11). Outros, porém, poderiam ter sido levados a invocar imagens da ‘redenção’ de escravos ou de prisioneiros de guerra.

Isto levanta a questão, se a morte de Jesus ‘comprou’ os crentes, a quem o preço foi pago? Ao diabo? Ao mundo demoníaco? É aqui, nesta conjuntura, que nós encontramos os limites da metáfora da redenção”. 

J. Green & M. Baker, Recovering the Scandal of the Cross (IVP 2000), 41-42, 102.

“Uma inundação do Calvinismo dentro do Arminianismo tem ocorrido em muitas décadas. Assim muitos arminianos cuja teologia não é muito precisa dizem que Cristo pagou a penalidade por nossos pecados. No entanto, tal visão é estranha ao Arminianismo. Arminianos ensinam que o que Cristo fez ele fez por cada pessoa; portanto o que ele fez não poderia ter sido pagar a penalidade, uma vez que ninguém então iria para a perdição eterna... [arminianos] também sentem que Deus o Pai não estaria nos perdoando se sua justiça fosse satisfeita pela coisa real que a justiça necessita: punição.

J. Grider, "Arminianism," Evangelical Dictionary of Theology, 80.

                Joel Green é um erudito Arminiano do NT. A monografia da qual ele foi o coautor com Baker é um ataque frontal na substituição penal. Mas isto obscurece o apelo Arminiano a II Pe 2.1 para a expiação ilimitada. Se ela não é redentiva no sentido substitucionário penal, então em que sentido Cristo expiou os pecados dos falsos mestres? O esclarecimento de Grider levanta a mesma questão.

            Eu adicionaria que anda que você pense que a Bíblia ensina substituição penal (que ela indubitavelmente ensina), você não pode sobrepor isto em toda passagem genericamente redentiva. II Pe 2.1 carece de linguagem vicária ou sacrificial. Ela não diz que os falsos mestres foram redimidos pelo sangue de Cristo. Ela não diz que Cristo morreu no lugar deles.

15) II Pe 3.9

“Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pedro 3.9)

“A paciência de Deus com seu próprio povo adiando o julgamento final para dar-lhes a oportunidade de arrependimento, fornece pelo menos uma resposta parcial para o problema da demora escatológica.

O autor permanece perto de sua fonte judaica, pois no pensamento judaico era geralmente por causa do arrependimento de seu próprio povo que Deus retardava o julgamento.”
R. Bauckham,  Jude, 2 Peter, 312-13.

            Em outras palavras, não está se referindo a humanos em geral, mas ao povo de Deus (judeus, cristãos) em particular.

            [A interpretação arminiana para este verso é incoerente com o próprio conceito de presciência que arminianos sustentam. Assim, a interpretação teísta aberta faz muito mais sentido, embora ela também não seja a correta pois viola a ideia de Deus como conhecedor de todo o futuro, vejam]:[1]

“Por que Deus se esforçaria ao ponto de frustração em levar o povo a fazer o que ele estava certo de que eles nunca fariam antes mesmo de nascer, a saber, crer Nele? O esforço sincero de Deus de levar todas as pessoas a crer nele não implica que ele não é uma conclusão precipitada a Deus de que certas pessoas não creriam nele quando ele as criou? Na verdade, o fato de que o Senhor retarda seu retorno não implica que nem a data de seu retorno nem as identidades de quem crerá e quem não crerá estão determinadas na mente de Deus antes do tempo? Se isto não é o que II Pe 3.9 explicitamente ensina, o que ele ensina?

Se é difícil para a visão clássica explicar por que Deus se esforça com as pessoas que ele está certo de que não serão salvas, é mais difícil explicar por que Deus criaria estas pessoas em primeiro lugar... por que um Deus que ama a todos e não quer que ninguém pereça daria liberdade para as pessoas das quais ele está certo de que irão usá-la para condenar a si mesmas ao inferno.”

G. Boyd, "The Open-Theist View," Divine Foreknowledge: Four Views, 29.


“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (1 João 2.2)

“Se aqui é uma referência ao planeta terra, a consideração do contexto histórico no qual João escreveu faz uma interpretação mais provável ser o escopo do sacrifício de Cristo no sentido de que a raça, nacionalidade de ninguém  ou qualquer outro traço manterá aquela pessoa de receber o beneficio completo do sacrifício de Cristo se e quando elas vêm à fé.

No mundo antigo, os deuses eram limitados e tinham jurisdições geograficamente limitadas. Nas montanhas, procurava-se o favor dos deuses da montanha; no mar, dos deuses do mar. A guerra antiga era travada na crença de que os deuses das nações opostas estavam lutando também, e o resultado seria determinado pelo deus que fosse o mais forte. Contra este tipo de mentalidade pagã, João declara que a eficácia do sacrifício de Jesus Cristo é válida em toda parte, para pessoas em toda parte, que é ‘todo o mundo’.

“Mas ‘mundo’ em João é frequentemente usado para se referir não ao planeta terra ou todos os seus habitantes, mas ao sistema cultural humano caído, com seus valores, moral e ética como um todo. Lieu explica isto como aquilo que é totalmente oposto a Deus e tudo o que lhe pertence. É quase sempre associado com o lado das trevas na dualidade joanina, e as pessoas são caracterizadas nos escritos de João como sendo ou ‘de Deus’ ou ‘do mundo’ (Jo 8.23; 15.19; 17.6,14,16; 18.36; I Jo 2.16; 4.5). Aqueles que nasceram de Deus são tirados daquela esfera espiritual, embora não do lugar geográfico ou população física que é concorrente com ela (Jo 13.1; 17.15: veja "In Depth: The "world" in John's Letters" at 2.16).  

Em vez de ensinar universalismo, João aqui anuncia a exclusividade do evangelho cristão. Desde que a expiação de Cristo é eficaz para ‘todo o mundo’, não há outra forma de expiação disponível para outras pessoas, culturas e religiões à parte de Jesus Cristo.”
K. Jobes, 1, 2, & 3 John (Zondervan 2014), 80.

  Tradução: Francisco Alison Silva Aquino








[1] Nota do tradutor.

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