domingo, 12 de julho de 2015

ONISCIÊNCIA E TEÍSMO ABERTO



Por Steve Hays

            Em minha experiência, há dois tipos de teístas abertos: alguns têm um centro de gravidade mais exegético (por exemplo, Boyd, Sanders) enquanto outros têm um centro de gravidade mais filosófico (por exemplo, Rhoda, Hasker, Van Inwagen). Meu e-mail é mais diretamente aplicável ao primeiro grupo.

            De minha leitura (e eu não tive contato com toda a literatura teísta aberta atual), a definição teísta aberta de onisciência faz um paralelo com a definição padrão de onipotência. Assim como a definição de onipotência é consistente com a inabilidade de Deus de fazer o que é logicamente impossível, a definição de onisciência é consistente com a inabilidade de Deus de saber o que é logicamente impossível.

            De minha leitura, teístas abertos afirmam que Deus conhece tudo sobre o passado, assim como conhece todas as possibilidades ou contrafactuais.

            Tendo dito isto, Jr 32.35 é um texto de prova popular para o teísmo aberto:

“Edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom, para queimarem a seus filhos e a suas filhas a Moloque, o que nunca lhes ordenei, nem me passou pela mente fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá.”

            Por exemplo, Boyd cita esta passagem:


            Mas em face disso, o estilo sugere que esta possibilidade não veio à mente de Deus.

            Talvez um teísta aberto pudesse tentar explicar dizendo que isso simplesmente significa que Deus não esperava isso.

            Mas não é exatamente isso o que a passagem de fato diz, e dado que teístas abertos acusam os teístas clássicos/reformados de falhar em aceitar as escrituras da forma como elas parecem ser, eu não tenho certeza de que os teístas abertos possam fazer esta jogada hermenêutica de boa fé.

            Mas eis aqui um caso mais interessante:

“Deus esquece o pecado de seu povo por amor a si mesmo” (Is 43.25)


                Se, porém, Deus literalmente esquece nossos pecados, então Deus não conhece tudo sobre o passado. Há muitos eventos passados (envolvendo o pecado) que Deus não lembra mais.

            Uma vez que o pecado frequentemente produz uma reação em cadeia, isto exigiria lacunas consideráveis no conhecimento de Deus do passado. Assim muitos eventos são o efeito do mal moral.

            Mais uma vez, um teísta aberto poderia tentar construir a passagem mais antropomorficamente, mas isto seria uma concessão prejudicial à hermenêutica teísta clássica/reformada.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


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