sábado, 29 de agosto de 2015

PRESERVADOS PELO PODER DE DEUS: A PERSEVERANÇA DOS SANTOS



Por Francisco Alison Silva Aquino

            Uma das doutrinas bíblicas mais preciosas é aquela que foi cunhada como sendo o quinto ponto do calvinismo: a perseverança dos santos. Também chamada de preservação dos santos, esta doutrina enche o coração dos crentes de amor e temor ao Deus que “nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” (II Tm 1.9). 

            Saber que não há nada que possa fazer com que os eleitos de Deus se afastem definitivamente do Senhor, pois seu filho intercede por nós (Hb 7.25), traz esperança e conforto para estes.

            Embora muitos afirmem que este ensino tão precioso conduz o cristão a uma vida desregrada, a verdade é exatamente o contrário. Crer que uma vez fomos salvos do domínio do pecado nos leva a um senso de gratidão a Deus indizível. Como viveremos ainda no pecado se para ele morremos? (Rm 6.2). O cristão agora é uma nova criatura (II Co 5.17) e, por isso, sua vida é orientada pelo Espírito Santo que nele habita a fim de que ele possa viver uma vida santa diante do Senhor. 

            A doutrina da perseverança dos santos é um ensino prático. A primeira aplicação deste ensino é para animar o homem que continua sua peregrinação rumo ao céu. Em um de seus famosos sermões, Spurgeon disse:

Se eu tivesse que realizar uma viagem muito longa, digamos de Londres até Liverpool, confiando que minhas pobres pernas me levem, e com uma carga de peso também, poderia começar a me desesperar, e, certamente, o primeiro dia de caminhada me derrubaria: mas se eu tivesse uma segurança divina que me afirmasse categoricamente: “Tu prosseguirás teu caminho e chegarás a teu destino”, eu sinto que recobraria meu ânimo para realizar tal tarefa. Dificilmente alguém se lançaria numa jornada difícil a não ser que cresse que podia terminá-la, mas a doce segurança que alcançaremos nosso lar, leva-nos a recobrar o ânimo.” (A perseverança dos santos, C. H. Spurgeon, p.28).

            Em outras palavras, nós podemos ter a confiança de que, embora nós enfrentemos obstáculos na nossa peregrinação ao céu, chegaremos lá porque o Deus que iniciou sua obra nos preservará até o fim. 

            No entanto, longe de considerar o crente como alguém perfeito, este, embora sendo agora uma nova criatura, é passível de cair em pecados sérios. Nas palavras dos teólogos de Dort,

O poder de Deus, pelo qual ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne. Mas os convertidos nem sempre são guiados e movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria culpa, desviar-se da direção da graça e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam em tentação. Quando não vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satanás para sérios e horríveis pecados. Isto ocorre também muitas vezes pela justa permissão de Deus. A lamentável queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isso.” (Os cânones de Dort, capítulo 5, art. IV)

                Os crentes, embora sejam preservados pelo poder de Deus, podem cometer pecados graves, entristecendo assim o Espírito Santo e ferindo suas consciências. Entretanto, ao retornarem ao caminho de Deus por meio do arrependimento verdadeiro, “logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles” (Capítulo 5, art. V).

            Nós só podemos prosseguir com esperança na caminhada cristã porque sabemos que não há nada que possa nos tirar do caminho que conduz à cidade celestial. Como peregrinos, nós enfrentamos Apoliom, o gigante desespero, as feras do vale da sombra da morte e todos os tipos de males que podem vir sobre nós. No entanto, podemos repousar na certeza de que nada nos separará do amor de Cristo (Rm 8.39).

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