quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O ARMINIANISMO E A ORAÇÃO



Por Alison Aquino

            Uma questão bastante relevante, devido o seu caráter prático, é a oração do crente pela salvação de pecadores. Frequentemente cristãos oram pela conversão de seus parentes, amigos e outras pessoas na esperança de que eles sejam salvos. No entanto, atrelado a isso há outra questão importante a respeito de como Deus age em resposta às orações de seus filhos no que diz respeito à salvação dos homens.

            De um lado, calvinistas têm enfatizado a soberania de Deus na salvação de pecadores no sentido de que do início ao fim a salvação do homem pertence ao Senhor. Claro, arminianos diriam isso também, mas expliquemos melhor este ponto. O calvinismo afirma que Deus concede a fé aos seus eleitos para que eles creiam e sejam salvos. Neste sentido, Deus faz com que o homem natural entenda as coisas de Deus, creia e se arrependa dos seus pecados. Assim, a obra de Deus na salvação dos homens é monergista. Por outro lado, arminianos afirmam que embora seja Deus quem vai até o homem capacitando-o a crer, este pode recusar a oferta de salvação e ser, no final das contas, condenado. Deus quer que todos os homens sejam salvos, mas ao mesmo tempo existe uma condição para que ele seja salvo, a saber, a fé. Desta forma, a obra de Deus na salvação dos homens é sinergista.

            O ponto aonde eu quero chegar é como se dá a relação entre a oração dos crentes pela salvação dos perdidos e como Deus age em resposta a ela. Penso que arminianos são incoerentes com o seu próprio sistema teológico quando oram pela conversão de alguém. Algumas razões são as seguintes: 

            Em primeiro lugar, uma vez que para o arminianismo a salvação de alguém depende, em certo sentido, da decisão por parte do incrédulo em crer no evangelho, ninguém pode orar para que Deus salve alguém. Se Deus quer que cada indivíduo seja salvo e ao mesmo tempo Ele requer algo (fé) do homem, então como Deus pode fazer algo por ele? Em segundo lugar, isso iria contra os pressupostos defendidos por arminianos, como por exemplo, a busca de Deus por um “relacionamento sincero” com o homem. Um relacionamento onde não há participação do homem em nada não seria um relacionamento sincero, segundo o arminianismo. Deste modo, pedir para que Deus quebre as correntes que prendem o perdido é no mínimo ser incoerente com o próprio sistema teológico.

            De maneira geral, existem três alternativas para o arminiano que ora pela salvação de alguém: ou ele continua orando sendo inconsistente com o que ele professa; deixa de orar por quem ele estava orando e torce para que aquele incrédulo se converta; continua orando e se torna um calvinista. Eu penso que esta última alternativa é mais sensata.

Um comentário:

  1. Excelente texto, Alison Aquino. De joelhos todo crente é calvinista.

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